quarta-feira, 10 de julho de 2019

Versões e Diversões da Morte


Versões e Diversões da Morte

Introdução

Tudo do que nada existe; e nada do que possa existir, existe, de fato, mesmo se não se tomar uma consciência. Pois não é que um poeta ou filósofo ou doido (falta agora a memória, se ela existir, é muito claro) pois não que duvidou existir! – embora se lavasse, aos sábados, antigamente não existia também chuveiro nem a bacia d'água diários; comesse, desconhecendo o desfalque que terá dado nos celeiros do planeta; e ficasse doente (sabe-se que a dor costuma provar por a+b o doente existir); e embora os outros seres porventura e má-ventura viessem lembrá-lo daquela safada dívida de um franguinho! e ainda por cima a megera de sua esposa azucrinasse na segunda (devia existir a segunda-feira, pois onde poriam então a preguiça?) e na terça e na quarta e na quinta e na sexta sábado não, era dia do Senhor e do ritualístico banho 'desenfedorador', e então a boa e paciente senhora pulava a azucrinar o seu esposo e senhor no domingo, dia de descanso mas fazendo serãozinho azucrinando: “você não vai bater no Joãozinho?” ouvocê não trouxe carne para o almoço!” essas coisas. Contudo, com tudo isso, ainda duvidava existir. Duvidava. Dos outros? Certamente não, em não ser que fosse cego; argumento pobre: poderia saber doutrem apalpando. Dele. De si mesmo. Logo se pegou pensando pensar e pensou sobrar para si uma parte do Universo para existir-'se'. A conclusão aqui merece até essa partícula ‘se’. Enfim o ovo de Colombo! Qualquer matuto, desses que Lobato descreve ou a gente na beira do córrego pescando ou lavando minhoca sabe disso. Ele não. Como foi dito, ou era filósofo ou poeta ou lunáticopara este tipo de gente nem uma paulada na cabeça é evidência. Fiquemos com nosso capiau, muito mais concreto. que existe um porém: matuto, poeta, louco, filósofo descrente em existirtodos, todinhos (que beleza esse ‘todinhos’!) todos morrem. É um direito. Deveria ser um dever, para limpar o orbe.
Note bem o leitor (se existir, tratamos da existência; ou da des-existência propriamente): tudo que se escreveu até aqui é preâmbulo, enfeite barato se se quiser, para o Capítulo I; para o II para o III para o IV para o V para o VI e para o VII, não se pode ir além, sete é conta de mentiroso diz a sabedoria.


Capítulo I

Quando eu morrer não quero choro nem vela, quero uma fita amarela, gravada com o nome dela. Se a memória fosse boa poria aspas e citava o poeta-músico da canção popular. Felizmente não existe memória, a gente se safa disso tudo. Não se safa da morte. Maiusculá-la, vamos maiuscular a Morte, pois é tão grande, o homem tão insignificante.
Morreu. Era compositor e não sabia. Pior o caso de outros indivíduos terem sido felizes e não souberam. Fez marchinhas de carnaval; sambas, estrofes, jingles de propaganda, na época diziam neologizando ‘reclame’, que se arcaizou; fazia poemas encomendados, foi enfim usado e aproveitado pelos oportunistas de plantão. Decerto fez declaração de amor na mesa do bar escorrida de cerveja ou aguardente em meio à fumarada do cigarro, a caixa de fósforos a servir de bateria, para uma donzela (quiçá muitas donzelas) parecendo bonita à sua bebedeira. Viveu como pôde. Pôde bastar-se com expedientes e desemprego empregando seu charme e simpatia. Terá fabricado um filho em barriga alheia? mil? não se deve entrar na intimidade dos outros... E as dívidas insaldáveis, os pinduras do boteco etc. e tal. Todavia morreu. Faleceu de gripe espanhola, expirou numa briga com desafeto, foi visitar São Pedro por causa da tuberculose, então mal dos poetas – quem sabe? Concreto mesmo o atestado de óbito. Mais ou menos, o legista põe o nome verdadeiro, verdadeiro engodo para a sabedoria popular que admite apelido. E chora o apelido. Somente os amigos chegados, os da roda boêmia, terão realmente vertido lágrimas e lamentado o morto, carregando seu caixão barato comprado na costumeira vaquinha; o túmulo, apenas monte de terra uma que outra vela de sebo fedendo ao lado do cheiro da flor depositada por mãos femininas desconhecidas. Deixou por herança a amizade que a morte elimina por sua vez, mata; seus versos anônimos, dinheiro não, não deixou não tinha em vida para si. Deixou ainda por herança o esquecimento, mal (ou bem?) que bem pode ter atingido bilhões de criaturas desde que o mundo é mundo, passando pelos adâmicos, os erectus, até chegar ao homem do limiar no século XXI e III milênio. Consumatum est ao Capítulo I


Capítulo II

Quando eu fizer outra casa, disse o Doutor... Na realidade ninguém faz coisa alguma coisa: manda fazer. Paga pra fazer, doutor paga, às vezes; frequentemente não paga nunca e o zebedeu faz; faz a planta um sujeito que o oficial assina e recebe após muito cobrar o doutor, mas quem assenta ou carrega o concreto e todo o material é o zebedeu, o qual quando muito tem barraco, nem sempre na favela, que porcaria essa o pensar que miserável vive em favela, sobrando tanta ponte em todo o país! às vezes mora alugado. Com o doutor não é assim, é casa própria. E tem muito dinheiro, ou título, geralmente nem um centavo no bolso, tadinho, todinho no banco. Com ou sem...
Morreu. O Dr. José faleceu. O jornal, todos os periódicos anunciaram na página fúnebre em necrológio de expressão. Aquele negócio que se costuma ler: “A Família do Doutor etc. e tal e coisa” uma fileira enorme da gente bem agradecendo bem o conforto social, agradecendo os médicos Doutor Fulano Doutor Siclano, dizendo que o féretro sairá do Velório Tal, rico não aprecia defunto dormindo na mesa da sala; um pobre endinheirado de antigamente gostava e até mandava tirar retrato do morto, morto. Os pobrinhos pagavam foto oval ou retangular do falecido com a falecida pra vigiar a sala e mostrar às visitas, apresentados em molduras grossas e vistosas. Rico não, ao menos hoje não: manda preparar o cadáver para cheirar cadáver no instituto adequado, o qual traz prontinho da silva o corpo para embelezar seu sofrimento. Diferente até no velório a situação de ambos, rico e pobre, aquele tem um velório de primeiro-mundo com vistosas fotos ou pinturas de primeira ordem e arte na parede. E flor. Muita flor, toda flor. A flor que muita vez o desaparecente vivo não amou.  O Doutor José ficou assim exposto à visita pública. Bem entendido, público seleto e escolhido a dedo, o povão de fora na festa vendo a gente mais gente entrar; e sair com lenços chiques enxugando olhos. Mesmo assim o Doutor teve de ser enterrado.
No velório, antes do velório, mais depois do velório formou-se uma briga surda recheada com ódios e contrariedades entre os disputantes à herança, grandinha. Não tão grande. Não exageradamente grande. A luta o entrevero a guerra foi melhor ainda na solenidade de leitura do testamento. E ecoou bem por dezena de anos depois em disputas judiciais. Parece  ter havido assassinatos em decorrência, nada se apurando. Apurou-se toda beleza da personalidade e fizeram um trabalho técnico igualzinho àquele feito para o cadáver para pôr o Doutor José na História, um personagem robusto aos livros didáticos no futuro. Foi assim que se acabaram o Dr.José e o Capítulo II.


Capítulo III

Não se desespere o leitor (caso exista, é bom repetir): este Capítulo III não tem dessas melecas apresentadas no outro. O sujeito era doutor, mais que o Doutor José. Ricão pra danar acabou , abandonado. A rigor foi ele quem abandonou o sangue de seu sangue e os amigos. Todavia não adiantou coisa alguma.
Morreu. Dr.João, apenas João para os íntimos, acumulou uma respeitável fortuna. Casa, palácios, carros... vichi! (ou é vixi que diz o popularesco de ‘virgem!’ voltemos aos carros:) uma quantidade enorme deles, fez coleção, desde os fordecos com manivela e mais parecença carruagem sem cavalos, lustrando de bonitos, dos fordecos até o carro do ano, criou inclusive museu, fanático por automóveis, mais fanático por dinheiro, dinheiro a razão de um Doutor João valendo dois ou três Doutores Josés; fazenda para cobrir na extensão alguns países europeus, fazenda com muito gado e pouca gente, gente trabalho no trabalho e não trabalha dando muita encrenca aos pobres ricos com as leis existentes, este país anda ingovernável, gente não, gente rouba ludibria e ainda quer dar punhalada no fazendeiro; gado, gado traz muito pouco trabalho e bastante lucro. Daí o Doutor João se meteu na política. Ganhou não quanto podia, quanto queria, no entanto a ambição é quem ganhou a partida, as traições fizeram o resto e o Dr.João virou João, teve de se esconder com os amigos e, depois, dos amigos. Fugiu da mulher oficial e mesmo das outras famílias de contrabando, ninguém mais queria saber dele, do seu dinheiro. Os ladrões do governo se apossaram do que sobrou no ‘comei-vos uns aos outros’ e ainda forçaram João a matar um desafeto, matou três para se acostumar; depoizinho sumiu do mapa. Embrenhou-se no sertão numas terras devolutas onde tinha outros fugitivos da lei. Quem contou isso foi o Ari, Ary com ipsilone. O leitor conhece o Ary? ninguém conhece, embora ele conhecesse a lei, tanto que fugiu dela igualmente. O que não impediu ao Ary falecer. E o Doutor João também. Também nada mais havia para contar dele, havia praticado todas as patifarias permitidas. E inventou outras tantas por ser brasileiro e brasileiro costuma ser muito criativo. Porém não levou isso para o Céu. Ou para o Inferno?


Capítulo IV

Melhor sorte que João, muito mais se supõe que o Dr.João (não na História, é preciso esclarecer) foi a sorte de Pedro. Mais um esclarecimento: Pedro é apelido. O nome dessa gente ninguém sabe; mente-se tanto que um dia até o priprietário do nome não tem grande certeza chamar-se X ou Y, o y do Ary. Meteu-se em encrencas; todavia não foi por causa disso que deixou este mundo.
Morreu. Morreu sim mas antes brigou bem com a Morte. Andou perengue entre sua prima (prima da Morte) a Doença e a prima da prima, Dona Coragem. Um mérito teve Pedro: nunca matou ninguém. Um santo. Não, talvez não tenha sido propriamente um santo, assassino é que se pode garantir não ter sido. A rigor tremia até com arma na mão, mesmo uma inocente faca (inocente até prova em contrário; voltemos ao Pedro:) e nunca viu realmente arma de fogo em não ser nas mãos de amigos e guarda-costas quando enricou. Eliminou por tabela adversários e enricou, no que foi rápido, tão rápido quanto seu casório e menos rápido que o fim do consórcio, se bem tenha indenizado a bela por perdas e danos e dado um dinheirinho extra para o filhote dela. Rápido como um meteoro o enriquecimento. Belo dia era dono de um bairro, depois de algumas cidades, nenhuma droga chegava aos consumidores sem passar pelos agentes de Pedro. Ficou famoso na imprensa e nos meios policiais. Quando a coisa esfriou, melhor dizendo esquentou, fugiu. Fugiu perto fugiu um pouco menos perto fugiu pra longe e de fugiu do país. Com dinheiro com amigos e com impunidade, fugiu até da Morte, amparado pela traidora Dona Coragem. (O que comprova não se dever confiar até na parentela). Nas estranjas uma gripezinha acabou com a festa. Com Pedro. Com mais este Capítulo também


Capítulo V

Ninguém sabe onde o túmulo de Pedro. Da Pedra sim. Viveu, bela elegante rica importante, maravilhosa. Mentira. Pedra, que realmente foi registrada Pedrina, Pedra não foi mais que os Silva desta vida. Pior, Silva não é nem maior no país, os Cavalcante são ainda em maior número. Assim mesmo Pedra foi provavelmente digna, embora a sociedade não tenha complacência com a moral feminina. Mãe, esposa, honrou seus quatro esposos, mais o primeiro oficializado pelo padre. Praticou tudo permitido às mulheres de sua categoria social; ficou viúva de verdade uma vez mas foi honrada até o segundo casamento e deixou herança aos filhos do primeiro marido. Não teve mais filhos, somente algum aborto. Logo encrencas da vida atiraram Pedra ao comércio; quase enriqueceu, pois sabia pagar pouco aos empregados sonegar o governo e apurar bem o lucro. Não adiantando tudo isso.
Morreu. Foi enterrada, pequenina grandona de inchaço, quase não cabia no caixão. Por intriga da oposição, quem sabe, um dos viúvos dizia da Pedra-viva “quando você morrer será preciso dois caixões: um para o corpo, outro para a língua!” Linguarudo decerto. Todavia o fato é que precisaram reforçar a tampa, ela estufara demais, o cadáver é visto. Além disso foi necessário antecipar o enterramento: ninguém aguentava ficar perto, perto das dezesseis horas era para dezessete levaram a pedidos o corpo quinze e trinta. Tadinha.
A vida da morta foi rica em acontecimentos. O velório ainda mais. Tinha os que temiam falar mal e depois ficar malassombrados. Tinha os que tinham pena dela. Tinha os que davam graças que houvesse ido. Tinha um cachorrinho, vira-lata desses que furam saco de lixo, inconformado uivando por perto. Tinha gente com ódio dela. Tinha amigos que lamentavam a partida de uma santa. Tinha vizinhos indiferentes, mas com direito ao café e as bolachas servidos pelo bufê da Funerária do Bonsono. Tinha conhecidos por ali bem desconhecidos. Tinha parentes vindos de longe e os distantes de perto que não se davam em vida, alguns apareceram em morte dela, porque não ficava bem etc. e tal. No entanto depois foi o depois. Legalmente sepultada Pedra deixou pedras nos sapatos: a parentela se engalfinhara por falta de testamento. Brigara e fizera a felicidade dos advogados, os quais surrupiaram bem metade. O bate-boca prosseguiu pelos séculos e séculos amém.


Capítulo VI

Amém nóis tudo. Assim ele falava; com essas palavras com essas ortografia semântica e pronúncia. Desse jeitinho. Morava . “ com Deus” insistia. Casa carro dinheiro no banco a vizinhança falava que tinha, tinha os que achavam que não tinha. Tinha sim carro, velho, velho de usado pouco usado muito velho, na garagem. Em bairro de periferia isso é uma riqueza sem tamanho, incalculável. A morada era bonita, na versão do morador. Atender vendedores, vendedor a domicílio é um saco. Atender protestantes, evangélicos como se definem, gritava de longe na janela “se é religião não atendo!” era um velho educado e ranzinza. Atender pedintes, dezenas, conhecia até pelo som das palmas característico. Essa gente pensa que sou filho do Presidente! Não era, ninguém acreditaria nunca caso dissesse. Demais foi um bom vizinho aos vizinhos.
Morreu. Não mexia com ninguém, ajudava quem possível: emprestava a escada a enxada dava erva-cidreira para o chá; dinheiro não, dinheiro não se dá emprestado, se dá. Não era banco. Não obstante uma desapertadazinha não aleija ninguém. O homem do trinta e cinco morreu. Morreu? quem? nunca vi. Ah aquele velhote. Do quê? Sempre a gente tem de partir por alguma razão. Mas é comum dizer que para a morte nãoremédio. Dona Maria falava com determinação do determinismo, contava mil casos provando: chegou o dia? buf, buf era a expressão sonora pra indicar fulano partiu desta pra melhor. O velho, era dia dele. Porque quem de novo se livra de velho não escapa. Fizeram o velório, fizeram sinal da cruz, vestiram o defunto com o terno de casar, de antes de descasar agora a descansar. Um dia de festa, todos os curiosos se satisfazem, os bebuns bebem os linguarudos todos contam piada e alguns até se lembram do cadáver na fase anterior quando vivo  era tão bonzinho”; tinha uma senhora chorando, seria parenta? quem ficará com a casa o carro o cachorro, bicho alguém cuida todos sabem disso. Vão levar o corpo, será que passarão na igreja primeiro? Que bom amanhã é domingo, dá pra levar as crianças ver a vó. Como a rua está movimentada. Têm uns sujeitos perto com o som nas alturas, é bum-bum-bum de estremecer até os defuntos, cruz-credo, puxa era feio, medonho Deus me livre. Parece que a Morte resolveu visitar nossa vila, outro dia foi Dona Joana, depois a Antônia, tadinha tão nova, agora esse velho, qual o nome dele?


Capítulo VII

Não tem nome. Não tem de tão pequeno. Insignificante. Os cachorros sim, uma infinidade deles na madrugada da rua. Até os vira-latas têm nome, eles ladrando sem parar infernizando todos os sonos. Tem gente que não se importa, dorme como  pedra, como defunto.
Morreu. Defunto ou defunta? Nãopra saber, tem pessoas indefiníveis, necessário ver a certidão a conhecer. Todavia em que o sexo modifica a morte. Dona Morte é do sexo feminino. Quem vive uma vida insossa não precisa sexo. Vira cadáver. é que não mais precisa. Um belo dia... ora comobelo dia’, a pessoa morreu, tem cada uma! E todos choram. Não mintamos, a mentira é feio. Alguns quantos em razão do benefício que o ex-vivo tenha praticado. E tem com ou sem velório, quase sempre tem velório e tem os indiferentes; mesmo porque por que é obrigatório torcer para o "time das massasbobagem. Os indiferentes. Eles são mais coerentes, não sentem coisa alguma e alguma coisa fazem; melhor que os que não fazem. São indiferentes ao cadáver ali exposto, seu irmão mais comportado, pois também é o morto indiferente. Indiferente que haja velas flores choros rogos, até piadas (que são alimento do féretro vulgar); indiferença com o número dos visitantes, futuros defuntos; indiferente ao caixão, pode não ser de primeira, que seja de segunda classe num primeiro-mundo; que importa aos ossos ali espichados na mesa! muito menos a indumentária dos outros mais a dele, Sua Eminência Cadáver, que a terra irá mesmo apodrecê-la. Piormente os vermes, vão derreter Sua Eminência, tudo se transforma lembra Lavoisier. Enfim festa de despojos, incapaz de elevar o corpo inanimado à santificação.
No entanto seja um poeta ignorado, seja um Dr.José, seja um Dr.João, seja um Pedro ou uma Pedra, seja um velhote até desconhecido num desconhecido bairro, seja qualquer sem-nome em vida, sem nome mais na mortetodos se enganam ao menos numa coisa: com Dona Morte. Que tenham enganado à Prima Doença, à Prima Coragem, não enganaram Dona Morte. Ela veio e acabou a história. Não obstanteum porém: a morte é tão só a devolução dos elementos fornecidos pelo Planeta ao ser nascente. a devolução. A própria Morte está morta. Porque a seguir vem o ajuste de contas; não foi prometido que se paga até o último ceitil? Quem se foi e ficou pensando que se foi, precisará liquidar possível saldo devedor. A Vida é paciente, espera o pagamento; dos que se conscientizem com a dívida e também dos que porventura se escondam na fuga do passamento somático.
Marília  agosto 2001
         


         

         


         



           

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