Tudo oquêi em
casa de Mãe Joana
I – Preambulinho
Tudo, e oquêi também,
tudo começou no fim.
Não, no fim
não, no meio
de toda atrapalhada ali
na casa dela. Descobri isso. Eu, Doutor Abobrinha,
aparentado com
os nobres usineiros
Jerimuns, eu
descobri antes a atrapalhada ali no pedaço; posteriormente descobri ainda
que havia mais algo
errado. Lá? Aqui.
Aqui dentrão de mim.
Seria algo desse tipo
de algo que
se pode dizer mostrar expor, exportar quem sabe, e quem
sabe a embolsar um
dinheirinho extra; pois
a coisa anda dura, não é mole não pro lado de cá: carestia gastos desconhecimentos abusos
e no fim o fim
– a dívida. Mas
não ando a racionar
como o homem
comum, meu
desafeto de estimação, o qual
e para o qual
tudo vira
dinheiro. Não.
Raciocinando em termos
de vantagens sim,
ganho cultural; desse saber
que as traças
não roem. Cultura.
Agora, ainda
não pensei bem
para que
serve cultura; e não
creio na besteira em
mexer nessa caixa de marimbondos agora, depois:
deixo pra depois,
depois que
terminar esta obra.
Digo afirmo confirmo e garanto eu Doutor. De todo
este tró-ló-ló fica o seguinte: eu
existo, a Mãe existe, a Casa existe. Não
existe, isto sim,
um entendimento
meu do anuviamento no lar vizinho. O destrinchar isto é meu intento.
II – O que
procurar, será o oquêi?
Que tem, tem. Não
sabendo minha sapiência
o que tem. Tem alguma coisa
errada nesse oquêi, ok? Prossigamos. Têm os familiares,
assinzinho de comuns, portanto normais (fica ‘normais’
até os filósofos se contentarem se entenderem
no desentender e conceituar
comum e normal).
Sim tem eles
e em cada
capítulo desta novela
mostro, eu Abóbora,
um deles, a poder
configurar bem;
bem aqui
resvalando na mesma problemática
da oposição comum-normal. Deixemos essa porcaria de pleno pra lá e
vejamos um agora.
Tomo a Mãe,
a Casa não,
esta é personagem do próximo
capítulo. Ela
é bonita e trabalhadeira, vive anos na labuta,
sempre temerosa
que nós
literatos não
avaliemos a contento não sabendo o quanto
trabalha; por
isso se esfalfa mais
e mais e prova
por a+b ser dura na queda,
trabalhadeira sim ao extremo. Não
fosse assim, com
seu labor
e o dinheiro que
traz para casa,
a Casa teria rolado despenhadeiro
abaixo, em não
sobrar pedra sobre pedra! Trabalha
compõe põe repõem o necessário, igual
o chefe de família.
Isso – é o machão
de casa. Porém cobra.
Cobra... ah, Deus
me livre.
Investe boqueja fala discute vence. Todos se calam. Não
sei se envergonhados enrubescidos destrambelhados
no compor. Assim
harmoniza elona seu pedaço.
Elona é petitica. Metro e qualquer coisa todavia não é fina, meio rechonchuda
e tem lá sua
graça, senão
beleza. É um tipo que grita brabo. Pega no pé dos membros familiais no olho por olho dente por dente. Apesar, de jeito
nenhum fica a azucrinar
os seus as vinte e quatro
horas; não:
trabalha dia
inteiro fora
e tem o costume de dormir
também (dizem os vizinhos de lá, não os
daqui, os doutro lado, que ronca; deve
ser intriga
da oposição). Não
azucrina enquanto trabalha
e dorme, não deve dormir
no serviço ou
tomaria a conta levando em
conta a fome
do desemprego, dormir aqui
é aqui ao lado
em casa
dela, entendamo-nos. De fato, enquanto trabalhando ou
a dormir não pega no pé de ninguém no lar,
sim deve dar
uns coices ou
rosnar ao cobrador
esposo, não
afirmo ou inventaria. A verdade
é falar muito
e exigir muito
mais dos seus;
e lamentar bastante.
Suponho deva lá
ter sua razão como tenho
eu Doutor
a minha e ver
ou sentir um errado em todo certo
deles. Sim deve ter
razão a ralhar,
sai enfurecida, volta mais calma da cidade e retoma a revolta.
Assim é esse
personagem forte
desta fraca novelinha. Por quê? imagino eu,
Ela também
deve semelhantemente fazer
essa pergunta à Casa.
III – A Casa,
em disputa
no concurso de valor
com Ela
Ela, não
a casa, Ela
é Joana. A Casa é um
‘Deus me acuda’ impossível detalhar, detalhar! quem se arriscaria pormenorizar
a Casa e se candidatar
a ficar no azar em escrever pelo
resto da vida
a respeito... Não.
Tratemos por alto.
Por alto
digo, abobrando, que ainda não caiu.
Por sólida
construção? por
isso entretanto isso
seria o prédio e tratamos aqui da gente.
A gente se não
entende. Dir-me-iam: ora, Abóbra, que diacho, o mundo
não se entende as famílias
não se entendem os amigos
não se entendem até
na palavra ‘amigo’
que a gente
poria melhor ‘conhecido’
e eu Abóbora
acresceria ‘conhecido-desconhecido’ – não
é assim! (eu:
sim) então
como quer
que a Casa
de Mãe Joana se entenda!? Não abusemos
da linguagem: quis falar
somente conviver.
Ora bolas, na cadeia, fora os que se
comem e se matam e os que fogem, no presídio não se
convive? Claro, nas cidades
e na sociedade e nas empresas
e até nas famílias.
Portanto... Bem.
Convivem se esfolam brigam discutem e se riem também,
a conviver. Em
ponto final a
se não mais
discutir – estão vivos,
são normais.
O que (nadinha com ‘oquêi’) o que fere a compreensão
é algo que
paira no ar... Explico-me. Tem alguma coisa de podre nessa
dinamarca de seis cômodos,
um dos cômodos
é apertadinho e ali puseram a reclamar em particular a mãe
da Mãe. Dona
Dita choraminga dia
inteiro, só
para quando a filha da mãe volta do serviço.
Não é isso que
está no ar; estando envolto
em bruma, em vozes baixas e quase
inaudíveis (à jerimunzada vizinha). E isto a base em que gira esta novela
safada. Deixo para
o quarto, nada
que ver com
os compartimentos do prédio, veja-se bem. Digo o
capítulo seguinte.
IV – Um membro
para melhorar
a tormenta joana
Um dos filhos
delona, titica assim mas moralmente
uma tantadona de grande, um deles chama-se Pedro. Alguém
já leu as peripécias
do Malasartes? Quase assim. Seu trabalho é a desocupação.
Entendamo-nos outra vez
ou nos
perdemos nas perdas da confusão.
Em outras palavras,
vive ocupado no desemprego; apenas desde que se plantou um
pé de abóbora
no quintal – passando pelos cuidados corriqueiros, colheita de cambuquira pra
fazer afogadinho, crescimento
das abobrinhas, fiscalização para impedir que os vizinhos
afanem a abóbora nem
deixando a pobre crescer
vingar adultar, estando esses
profissionais apenas
de passagem em
nosso quintalão a roubar
galinha e arrancar
mandioca ainda
não no ponto pois só em junho que se pode coletar as
raízes; nessa dita passagem
não podem os vizinhos
levarem abóbora! Claro.
Desde plantação
floração crescimento e quase roubo da abóbora e até secar o pé (da abóbora,
não se entende mais
subentendidos!) até esse
ponto que noto, eu Doutor Abobrinha,
que o Malasartes só
artes pratica, não
trabalha. Faz ficha,
volta, discute com
a genitora, volta ao emprego e não lhe dão o emprego.
Tudo bem no Reino do Entendimento?
Bem. Entra ano
sai ano, desocupado,
ou somente
desempregado, a esperar o futuro
a interrogação a exclamação, numa boa, ele a ficar nas reticências das ignorâncias.
Contudo, tudo
com... com
Ela, Ela
paga as contas,
não contando com
o Pedrinho, que nesta altura é de altura,
grandalhão belo
vistoso e desempregado. O que
tem de novidade nessa novidade? se a novidade
se espalha, se houver tal situação por todo País: a economia economiza engolindo vagas,
as vagas não
aparecem; se aparecem o Malasartes é um
orgulhosão – não aceita qualquer; quando
oferecem, ou melhor,
quando imploram a ele
‘um’ exige ‘dois’
se ofertam ‘dois’ quer
‘quatro’ e assim
fica ocupado tão só na desocupação o rapaz.
Porém não tem nada
não, Mamãe
paga. Aliás
paga com
quê? com
o trabalho delona pequenininha assim.
Em quê? quer
dizer: no que
trabalha, que
faz. Não sei, abobrinhamente
correto não
sei e não é aqui
lugar a chatear-me; indago: por que não indagou no capítulo
sobre a Mãe!
se se perguntasse então ficava mais fácil responder com as coisas frescas
na cachola. Responderia daí “não sei”; agora
sei menos, sei que
traz dinheiro pra
casa àqueles
safados passarem o dia
inteiro a brincar
falar em carros e outros
concretos do imaginário;
é assim com
Malasartes, o qual tem muito assunto
nessas faltas. Mamãe
paga sustenta
dá, dá bronca também,
dá tudo o que
precisam os seus. Todavia
não é aqui
que reside a dúvida
abobrescamente correta. Não, é noutro quesito.
Se houver paciência, sabência já sei que tem,
falo um
pouco mais
de paciência – então
destrincharei.
V – Os demais
de-menos
De mais, fica como
antes no castelo
de abrantes, só o Malasartes daria a encher um capítulo inteiro,
a mais? a menos,
pois somente as discussões entre
filho e mãe, a Mãe a dizer
assim; o filho
que entre
mãe e filho, mas a ordem
dos fatores... não
tem um negócio
nesse sentido? pois
é, não é o Pedro o maior
problema, eu
abobrando em dar
palpite que
acho que sim
é o maior dos dramas
da Casa de Mãe Joana; Joana acha, ao menos faz supor quando
sub-repticia aos outros suas reticências,
acha ela que os outros tantos quantos lhe dão problema,
dessinhos de provocar indigestão
e doença corrosiva
no estômago; e talvez
tenha razão nesse particular.
Tem o pequeno, grandão parecendo vareta na adolescência
bem empregada (leia-se enchendo o saco dos vizinhos
a contento, mesmo
das vizinhas e eu abobóro não saber como) esse ainda não lhe descobri o nome,
terá é claro, todos
temos, desde a plantação
a ramificação a floração e a colheitação da abóbora (não
todas abóboras, o vizinho
da galinha...) até
à seca do pé,
quer dizer até hoje, até hoje não sei o nome só o apelido ‘Pelado’ e isto não se justificando pois que só o vejo vestido na rua,
o povo chama
assim e o povo
tem razão, a voz
do povo é a voz de Deus. Também desempregado, no entanto solta
lindamente papagaio,
que a tevê
exige seja ‘pipa’. Ah, conversa
belamente e grita
o mais sensatamente
possível. Só
não berra
com os outros
irmãos, a saber:
o mais velho
que fugiu com
a mulher do vizinho,
não a minha
mulher é visto (ou
estaria a escrever esta novela
e não a chorar!)
o mano fugiu sumiu, levou a bela e levou as coisas
dele, inclusive o nome
e por isso
eu Doutor
não sei agora;
com esse
não grita,
só com
o Pedro e o Malasartes grita mais alto, ganha no grito (da Mãe Joana não,
fala mais
que o menos
que é mais
só pros vizinhos).
E tem outros dois
membros a pesar
na cacunda da Mãe;
um é a cadela,
a qual nunca
disse seu apelido
a ninguém contudo é drama
à macha da casa
em vista
comer por dez cadelas das
médias e ladrar
por umas vinte e aí,
tem visita que
resista. O outro membro
que come às expensas
Delona deixo pra outro capítulo, aqui cabendo apenas
a amarrar a composição
e o drama, que
não é só
drama da Casa
e mais sendo da Joana: é um drama meu, Doutor Abobrinha aparentado
dos Jerimuns da nobreza parente. Como a
letra está mui
espichada, não trato
do mesmo por
faltar espaço
agora; e doutra questão;
disso deixo saber: a saber
– o enigma da Casa
de Mãe Joana, como dito
tudo oquêi.
VI – Os outros
aí de fora
Tem mais uma questãozinha pra
Mãe resolver,
ela não
resolve coisa alguma, passa
ano entra ano
some ano, o pé
tá seco arreganhado já
e só serve a enroscar
o pé da gente
quando a gente
vai ao fundo ver
se não tem vizinho
que leve
a galinha, não
crio mesmo galinha
e nisso não me
preocupo, e tem decerto ladrão sim e de dia
ao sol não, somente
de noite e de noite
me tranco no meu tugúrio, xô violência, o
bom mesmo
é nós livres
ficarmos presos e o vizinho
que me
afana a mandioca e o faria na abóbora se ainda
houvesse, esse fica solto no seu trabalho. Tem sim uma questãozinha. A ‘parentaiáda’, Ela que usa essa expressão
de gíria, aliás
não versada
em Herculano ou
Camillo, a Joana fez as primeiras letras
tão só. Os parentes vêm mansos desatolar na mesa da casa. A
casa? não
cai, cai a harmonia dela, mais Dela a qual
deve pagar custos
comissões comidas
conversas, conversas
porque parente
adora falar. Ela
paga com
seu trabalho
não sei onde, e só interessando o dinheiro que é o recurso que
traz não sei donde. Comem, farofafam as fofocas e (dá sim
uns brigares mais)
e tocam fundo, não:
fundo não
dá, dá só de leve
na ferida da Família,
bagunçando a Casa de Mãe Joana. Tudo oquêi? não
pra mim
não, não
abobóro direito ao fogo
debaixo da brasa,
esta que fica por
baixo da cinza...
Como não
resolvo, no momento, entenda-se, como,
deixo para outro
capítulo.
VII – A brasa
pra sua
sardinha
Uma vez quis saber da sardinha, eu Abóbora a abobrar as coisas.
De fato, fui curto e grosso: Mãe Joana,
o que faz o... Só
pus reticências
pra não me
complicar a vida,
pois responder-me-ia “O Senhor
que cuide de suas
galinhas (no que eu
retificaria na hora: abóboras ou jerimuns:) isso
mesmo que
o Senhor disse, cuide de sua
vida”. Por
isso não
perguntei direto, dei direito ao uso
das reticências usando eu antes as reticências. Ela me
respondeu sim como
toda mãe;
apregunte à mãe do maior
assassino entre
os delinquentes presos, os soltos a mãe negará prontamente
ser criminosos; e ela
dirá que o filho
tem uns lindos olhos,
contará quando muito
as peraltices em
moleque. Mãe
esconde o saber, ou
por saber que não sabe, ou por supor não saber sabendo demais ou... ou por ser mãe. A Mãe
afirmou respondendo perguntando: não tá difícil arranjar emprego! Mãe
costuma em qualquer
circunstâncias ter
razão, dei-lhe razão.
Porém, razão
sobre razão,
uma tonelada de razão
não me
dá razão nem
diz onde a razão
está. Argumento que anos
a fio – lá
se foram plantio crescimento
floração secamento, agora apanha
da fruta, e nada
de trabalhar; nem
o Pedro nem os Malasartes da Casa! Entretanto...
Não, esse
entretanto é maldade
de quantas abobrinhas existirem. Opto pela maldade: como ter os bens que o pessoal tem sem
o trabalho digno!
Não me
importo com o maná,
hoje não
deve mais cair
ou cai pouco
do céu. Respondem-me as dúvidas – tudo
vem do labor joânico. Será?
VIII Antes de pecar mais, um
aliviozinho
Até aqui
a abobrar as coisas, coisas como o poder da Mãe, os ainda não destroços da Casa,
os membros – vários
a malasartear as coisas, exigir
e mais exigir,
cobrar debater criar problema para a Joana a fazer virar a casa e a mãe a confusão da Casa de Mãe Joana, cheiinha de oquêis pra todos lados – enfim
vimos os membros, foi isso que se
viu, não vendo mas
percebendo de entender das coisas.
Faltou a bagunçar mais
o coreto das abóboras
com pedigrís na nobreza jerimúnica, faltou
um elemento,
que falta
nessa novela cachorra (perdão oh vira-lata!) uma faltinha de nada,
nada adiantando no atraso
o pensar-se que darei, eu Doutor, o enigma, a razão
primeira e virginal como
pedra de toque ao escrito. Não. Sim, fica
pro final a tornar
o final mais
gostoso. Credo!
Trata-se dele. Ou haveria família! Antigamente
quando qualquer
abóbora era
macha pra
valer, se me
dissessem o que digo agora, brigava. Digo, o homem
é apenas um
fertilizador e, depois,
num tá nem aí, sobra à fêmea parir cuidar
e às vezes, como
ocorre com Mãe Joana, tadinha, a tratar da homarada pra
que a homarada fique soltando papagaio, o qual
a tevê xinga e exige seja pipa na rua; e brincar na rua, e
conversar fiado na rua, a rua que sabemos
é uma via pública
e ninguém tem nada
com isso,
mesmo alardeando aboborices mais, com
pedigrí e tudo. Os membros
a poder brincar de adulto. Adulto quando não briga é porque não anda a conversar; da conversa vem a brincadeira, da brincadeira
vem o disse que falaram e aí – a briga. Conversa vai conversa vem... e o agradozinho prometido!? péra lá, pô. Não que tinha, tem, tem macho
nessa Casa? Pois
tem, isto a razão
de haver os filhos,
ou se pensa
que a Joana iria inventar
uma partenogenesinha particular a povoar a Casa! Nem crê, deve crer até pode crer, nem crê no Espírito
Santo, que
a teria fertilizado na falta de homem; homem não faltava, não
falta; e este
o agrado prometido antes.
O homem dela também
tem o direito ao desemprego a conversa-fiada
a ficar pela via pública pra baixo e pra cima (mentira, a rua da Casa é plana e horizontal)
enfim, a nada
fazer de útil (nova
mentira deslavada,
ele faz vez
por outra
a janta, ou
esquenta o almoço que
a esposa fez antes
de ir trabalhar ou madrugou no fogão
para tanto). Não fazer mas botecar, verbo
que todas abobrinhas
entendem como falar mole no bar da esquina.
Não faz, a fazer
tanto quanto
o restante da Casa. Com
um porém:
todos comem se vestem se alegram,
entristecem decerto a Mãe, doidinha a se esfolar
no serviço da loja
ou seja o que
for, onde batuca a conseguir
uns trocados para
sustentar todos
os seus. Todos.
Sim, Elona, que
é pequena e bela,
também come, tem esse
direito. E briga
com todos
direitos direito,
direitinho. Até acabar.
IX – Acabar o que,
o fim!
Não prometi um
enigma? Coloquemos pingos
nos ii – o enigma,
não sua
decifração. Visto dessa forma
aboborescamente falando, correto
digamos; partamos ao que me provoca, provocou certamente
provocará, me provoca o ser.
Mais pingos
neles. Todos vivem todos
comem todos se divertem todos brincam aproveitando-se a brigar
também, pois ninguém é de ferro
a só viver no
céu e no paraíso
da Casa, às custas
da Mãe Joana; até a mãe,
que é mãe
da Mãe, a qual
só não
lamenta quando
perto da filha
que é a Mãe;
e os de fora dentro
a exigir como
pensionistas com
direito a voto.
Todos com
direito, não
só a falar em veículos: todos têm seus carros, um que outro
zero-km e alguns têm os de empurrar na rua pra pegar no tranco. Bem. Todos.
Não ela,
a Mãe não
tem, tem de ir de ônibus trabalhar aos machos
da Casa poderem estrilar
melhor, isso:
ainda por
cima no por
baixo estrilam têm luxinhos e tudo o mais. Alguém tem bem a sustentar o lar; bem. E donde sai (aqui
o enigma faz tempão prometido; não me cobrar soluções, soluções não
tenho, eu Dr.Abóbora)
sim, donde sai o numerário
a receita para
adquirir bens,
o Malasartes então: este
vai passear de noite
volta ao sol
doutro dia, a Mãe
– aquele negócio
de mãe não
ver as coisas
e pôr panos quentes – a Joana falando em termos de
‘Fulaninho’ sai pra namorar
uma ricaça e aí
precisa combustível
precisa dinheiro
à gastança com a rica,
se esta existir pois as abóboras temem situações
mui encontradiças na sociedade
e no submundo da sociedade.
Enfim mamãe
sustenta tudo,
deste filhote e dos outros
mais. Com
um salário-mínimo... não: um e meio dizem os informes.
Mas não
tem nada não,
tudo oquêi. Agora,
não pedir mais aos doutores
às abóboras aos jerimuns,
ou enfureço-me: crio outro capítulo!
Marília julho
2005
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