segunda-feira, 15 de julho de 2019

Vovó Conta Estória aos Netos Emprestados


Vovó Conta Estória aos Netos Emprestados

I – Que se deve dizer antes de dizer
Vovó é... bem Vovó. Enrugada? Andandinho com dificuldade? Repetitiva? Arcada? Resmungona? Mas com um saco ó de grande!?
Afirmativo.
A plateia são... ora, que poderia ser a plateia se não crianças interessadas em ouvir as coisas dos dias que se perdem na noite dos tempos, no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça... Crianças. Porém a gente vira menino depois estando às portas da porta de entrada na Avenida da Saudade. Portanto é esse o público (que por sinaltrabalho).

2 – Que trabalho!
Menino, tira a mão do nariz, coisa feia. Ainda mais limpando na roupa o dedo cheiinho de caca. Nojento. Maria, para de resmungar. Alph (é diminutivo de Alfredo transportado ao gringuês que valoriza as coisas atualmente) apaga esse horroroso cigarro fedorento, acaba morrendo de tosse e catarro, olhe os trêsquês’: queda catarro e caganeira. Estou avisando. Jandira, vai espetar o João nessas agulhas de tricô – desista, menina: não aprendeu em oitenta anos não aprende mais! , não cuspa no chão, seu porco. Vejam o trabalhão que vocês... puxa que sobrecarga em minha cacunda. Quando crescerem e forem velhos verão com quantos paus se faz uma canoa. Ah registrem para não se esquecerem dessas minhas tiradas poético-filosóficas que são um primor em originalidade. Olhe a letra hein Toninho, detesto seus garranchos. Repito: com quantos paus se faz uma canoa. Isto é profundo. Bem. Vamos em frente.

III – Hoje conto uma das Mil-e-Uma-Noites
Isso mesmo, se ajeitem, limpem, abram os ouvidos, direcionem a antena parabólica das orelhas, ih que abano as suas Miguelinho. Muito bem. Vamos. A Guerra do Golfo. É linda a estória, vão ver. Que foi, ?
Sim, isso é da Carochinha, tem do Ali-Babá, do Lobo, da Cinderela depoizinho, agora a do Golfo... Está surdo menino, é da Carochinha. Eu não disse que iria dizer a verdade somente a verdade, sequer tenho a Bíblia para jurar, jurar costuma ser um costume fácil, não tenho aqui uma para jurar a verdade. Não! Não, Francisca, posso lhe chamar Chica ao modo da casa e não abreviar-lhe gringando correto? Chica, não me venha com sua esfarrapada Bíblia nem com a saliva evangélica para o meu lado. Lembrem-se sou mais velha que vocês e mereço senão obediência ao menos respeito. Portanto, NÃO. Ouviram? Aqui eu falo. Ou não conto. Vamos ao Bush.
Era uma vez... era uma vez um caubói bonitão à beça, tendo uma cara parecendo estar prestes ao choro; porém mui matreiro e perfidioso e cínico. Um dia o xerife se pegou proprietário do Planeta dele e inventou em limpá-lo e por isso inventou de inventar suas manhas. Tinha na ocasião uma bárbaro fanático querendo mandar de xerife também, mas em vestimenta a caráter, a caráter de sua raça com turbante túnica e um harém; punha um mundão de gente a chupar de canudinho o deserto para extrair petróleo e outro mundão de gente a soprar a areia da tempestade que eclipsava o sol, naquele tempo muito forte nas bandas do Golfo.
Papai dizia: filhinho não brigue com o Saddam. fui, continuava o genitor, fui por meu tempo no tempo de meu Império me pôr com esse selvagem e me dei mal. Papai é quem dizia, papai do xerife ocidental querendo brigar com o candidato a xerife no oriente. Ele não ouviu papai. Então... ai, não aguento esse garoto.  Toninho, por que não se assenta de uma vez por todas com os outros meninos ouvindo minha bela estória; fica indo pra e pra a procurar sarna e o que não perdeu. Perdeu? bem, se perdeu a galinha comeu, pois no quintal tem é uma briga danada entre as aves em disputa de minhoca milho e merda, tudo com eme, elas comem de tudo e brigam, parecença com a briga dos xerifes.
ele teimou. Ele quem? estão surdos ou desatenciosos decerto – o Bush. Teimou teimou, tomou seu mais potente estilingue, daqueles de borracha flexível e durável; com um pedaço de couro de botina ringideira e rasgada atirada no quintalão sujo de badulaques a mãe reclamando com a meninada nada comportada desembestada na brincadeira de faz de conta como conta a nossa brincadeira agora de contar, tomando o estilingue de borracha de câmara com couro de botina, presas as tiras de pneu na forquilha de pau de goiabeira, esta sim das boas por durável e adequada mas – olhem bemprecisa cortar perto do do galho ainda verde, ou estraga por duro demais o corte da faca, a mamãe ói ela gritando moleque que sumiu com sua facona agora que ia cortar o frango para fazer gostoso, o melhor é o caipira, frango de granja tem gordura à base de injeção e hormônio, onde se viu! a faca ficando cheia de dentes estragada e reclama mamãe também pela colher que levaram para brincar na terra, ainda por cima em baixo fazendo buracos e... e onde é mesmo que nós estávamos? ah ótimo, Zezinho, no Bush a fazer estilingue para derrubar o Saddam da árvore, muito bem, anda atento o menino, pois essas meninas moleironas pensam em não pensar, fofocando as coisas e coisas importantes como a estória que lhes conto não conta nem ouvem bem, que fazer se estão surdas e ficam perguntando ao deus-daráque Vovó falou?” Falei.
Ando eu com a língua ardendo . Vou tomar um cafezinho com bobagem e volto a narrar o resto.
         
IV – Restante que sobrou do Golfo
Uf! quem será que fez aquele bendito café. Fresco frio fraco fedido. Fresco de uns três dias, é visto; pois está azedo amargo atravessado aqui no gogó. Deixa pra . Continuo a estória do Lobo Mau. Quê? ah, o Bush... não falei Lobo Mau; quer mais mau! São atacadistas ou andam atacados; ou varejistas. Conto umas esmiuçalhas da estória, linda de morrer como disse.
O Xerife chegou de estilingue armado e queria... Não me interrompam, não desejava ele o harém do outro: está mais idoso que o aqui sempre me indagando se é estória da Carochinha; falo sim a impingir o melhor não disponível e o bruto não escuta; oh orelha de pau: é da Carochinha. Harém não interessa à cultura do Império de Bush, mesmo o canudinho. O quê? que mente poluída Alph, santo Deus! Falo dos canudinhos a chupar o petróleo, o Golfo tem um poço apenas menos que a Saudiarábia, este um lugar traçado pelos imperadores-xerifes do passado. Quer agora o canudo de Saddam.
Saddam! meu Deus do céu! não disse que era o candidato a xerife oriental? Ai, morro de raiva e desespero a falar a uma criançada desatenciosa que são vocês.
Desisto. Desisto e ia narrar a parte mais emocionante da Guerra, com muita odalisca príncipes fadas rainhas princesas e fome e tortura e traição e areia, muita areia, tanta que os museus os palácios e os monumentos não aparecem no cenário encobertos pela areia e as tempestades de areia; e destruídos pelas pedras do estilingue do moleque Bush. Mas desisto.
Se amanhã – ouviram? amanhã – houverem acalmado a afoiteza de vocês um pouquinho e passado a azia que meu café de garrafa térmica provocou, então, então conto outra... Sim é da Carochinha. Trata-se da estória da Minhoca.

V – Estória da Minhoca
Bom-dia meninos, dormiram bem? ah sei vão se queixar pela insônia as dores a cama o ronco o barulho os cachorros na rua pois eles terão ficado loucos! também eu me queixo. Queixo-me mais de vocês, criança vive fazendo das suas, aprontando... Quem me fez a arte! me esconderam a dentadura, fiquei a procurar por , estava debaixo de meu travesseiro e não em seu devido lugar – o copo de tomar água. Aliás quase derrubei o copo, quebrá-lo-ia espalharia água gosmenta no chão e o culpado quem foi? Adianta indagar de menino! o culpado nunca aparece. Deveria nem contar do Golfo hoje a vocês como prometi. Como? ? Ah, não, falei que é da Minhoca, uma estória linda de morrer.
Era uma vez uma – tchã tchã tchã... minhoca, acertaram. O Bush... Não, Pedro, oh Malasartes, não veio ontem, não sabe de nada, o Bush de ontem é o Bush de hoje, é o Xerife de sempre. Então, meninos, o Xerife de cara prestes a chorar andava atrás de certa minhoca, também cínica e matreira, uma minhoca chamada Bin Laden. Exato, Maria, esquisito e não inventei o nome, sabe é à Carochinha que se deve creditar o débito, contudo era um príncipe e queria igualmente como o Saddam ser xerife dos bárbaros. Bárbaro? ora, é um ser assassino injusto feio e fanático; e selvagem. Então o garoto do estilingue, mas que não estava com arma tão poderosa porque de paz, desejava somente caçar a minhoca e não se caça minhoca com estilingue de matar passarinho que vive borrando o chão desde em cima da cumeeira e outro dia sujou as costas da Zulmira que passava embaixo, não foi Zu? Então. Então onde eu estava mesmo? Ah sim, falaram lembrando bem, hoje mais ativos que ontem, ontem era segunda que é o dia da preguiça, continuemos. , péra-lá, eu falava do... ah sim da minhoca  e o  Xerife do ocidente chegou na terra da minhoca para impor liberdade e democracia e não tinha tanto petróleo nem canudinho a chupar o ouro negro das entranhas; nem areia a soprar porém frio fome feiura fantasma. A Minhoca era verdadeiro fantasma a azucrinar a riqueza do  Xerife, volta e meia explodindo os prédios do Xerife por no mundo. Dava para continuar assim! o Xerife mesmo respondeu: não dava. mandou matar quase todo o povo da terra da Minhoca, antes que a fome matasse pois o Xerife queria ter o mérito e mandou liquidar tudo. No entanto aqui surge uma questão insolúvel. Aliás toda questão é insolúvel, visto solucionada não ser mais uma questão. A questão.
Não achou a Minhoca não obstante. Diziam que ela se escondera nas cavernas feito formiga e não deixara nem a traseirinha para fora, que não era boba. dos intrincados enviava ordens a atacar as forças do Xerife. Este cansou-se.
Como eu estou sumamente cansada de aturar vocês, nunca vi se mexerem tanto, o  não se mexe, dorme. Depois me perguntará descaradamente: “Vovó, é da Carochinha?” e eu, burra: “é Zezinho, e da Carocha”. Estou cansada. Porque o cansaço é como a águaágua mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Põe no caderninho de vocês, crianças, é uma joia em pensamento, uma de minhas originalidades. Anotaram? repito para gravarem melhor: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Não é bonito adágio! compus o mesmo esta madrugada, ainda não sabia me esconderem os dentes, soubesse a raiva engoliria a criação.
Como? quê disse? hein! ah, não, não achou até hoje a Minhoca Bin-Bin. Ora, por que toda estória tem de ter fim? onde a originalidade se em todas o príncipe se casar com a princesa e a  fada-má morrer de inveja? onde se viu!

VI – No oriente próximo distante
Não briguem crianças. Começaram cedo, nem comecei começaram, me enlouquecem. Chega pra Alph, tem lugar para todos; Zu, é a dona do pedaço hein! Enquanto não se acalmarem não continuo meu começo sobre a linda estória de hoje, ontem eu estava atacada de catarro a voz sumidinha fosse falar não falava, aliás não falei nada saiu “passa cachorro” e Bush me olhou e não entendeu,  entenderam? hoje narro uma estória romântica cheiinha de invejas traições egoísmos essas coisas, com pitada de amor tendo príncipes princesas rainhas e... não Pedro, madrastaque mastiga criancinha no espeto mal-passado não tem, você aprecia essas imundices; asseguro: aqui é a formalidade da pureza, não existe lugar para bruxas, Bush. Passa! agora que não era ele era ele pensando que era. Bem.
Um dia, frio tremendo, o pinguim pulava (assim ó) na água gelada, ela espirrava pra cima no impacto e quando voltava à tona caindo pela força da gravidade caía farelo de neve e ao tocar a superfície líquida-sólida-gelada virava também gelo em pedaços, fazia trummm de barulho e o , ainda dormindo, não ouviria, não por dormir por cego da orelha; e ... onde eu estava mesmo? a fada? o caubói? isso acho que era naquela do xerife. , meninada, o Bush arriou (ou será arreou, vocês me corrijam, me lembrem a memória; quando forem matusalemicamente da minha idade verão o que é bom para tosse!) então... que dizia? Ah sim o Xerife pôs arreios na montaria dele, a rigor um pangaré vencedor em Cidade Jardim, calçou sua melhor bota com estrelinhas no calcanhar, fazia tri-li-li em barulhinho irritante, eu falei ao bruto: bonitão, tira essa porcaria de irritar a gente, põe chinelos-de-dedo, que serve pra esquentar a traseira de crianças indóceis, igual vocês, e servindo para andar e andar também a cavalo no seu pangaré e em qualquer burro, não é ? qualquer besta sabe disso e... em que ponto parei? vocês me interrompem a três por dois não posso contar a linda estória do Bush. Fiquem quietinhos vou repensar retomar o fio da meada.
Por falar em meada estive nesta madruga matutando sobre umas coisas, negócio original, não vinha a forma ideal veio: quem tudo quer nada tem; primeiro imaginei quem tudo tem nada quer, pensando no cachorro, este o pior amigo do homem, não se  contentando com nada, comeu Bin comeu Saddam e não se contentou. Vi que a forma mais correta seria quem tudo quer nada tem, que nada tem de popularesco nem de dito, dito agora a vocês em primeira mão como uma ideia original que me brotou aqui nas entranhas. A letra hein! tem unzinho entre vocês que escreve e nem ele mesmo consegue ler...
Mas ... o quê? ah o Xerife montou no quadrúpede debaixo em cima dele e foi prototoc-prototoc o vaqueiro presidente e delegado. Bem. Num belo dia ói ele beirando a beirada do oriente. Perguntam-me: não havia ido ? , entretanto noutra estória e este é outro departamento longe daqui do de donde o homem saiu, saiu – vão ver – a dar palpite para os aborígenes que não se entendiam. Depois que eu contar a estória vocês decidirão de quem a razão: se os selvagens fanáticos da banda de , se os selvagens fanáticos da banda de do de , ou ainda se o Xerife a assoprar palpites mais, mais interessado em que entre os primos, porque os contendores eram primos de sangue em terceiro grau; que enfim os nativos não lhe atrapalhassem a paz a ter paz em matar direito o povo dono do petróleo na outra estória e... e que foi?
Sim , é da Carochinha.
Como eu dizia, a Carochinha, não a Carocha não, o cavaleiro saiu e chegou nas estranjas onde os nativos atiravam bombas com fanáticos dentro fora de sua terra pra pegar a terra dos outros. Então uns diziam é meu, eu vi primeiro. Os outros falavam, cheguei antes. E quem teria razão? parece que o certo sendo ambos grupos tendo razão pois de sobra não terem nenhuma. A matança continuava, o tal Bush tirou bem umas três notas verdes e mostrou os dólares aos briguentos, estes se entrolharam e... bem o cavaleiro achou por bem o mau negócio em pegar a tralha na cavalgadura, pô-la nas costas e voltar procotoc-procotoc assim ao Morro do Capitólio, onde se poderia esconder. Parece que o Xerife haja interpretado erradamente a expressãoeu vi primeiro  “é meu  pensando não no território em disputa mas na sua sagrada pessoa. E pelo sim pelo não, não ficou para ver, não gastou as travas da chuteira do pangaré, gastou a bota, calcanhou a bota primeiro, a sola dela, e perdeu a estrelinha de fazer trilili, eu ganhando a ficar menos irritada.
Agora, que agora vocês acalmaram é uma verdade. Tanto que se me passarem esses gases me cortando as tripas, então com certeza contarei outra, não amanhã como meu costume, hoje mesmo. Certo, João?

VIII – Cachorrada
Uf meus netos, quase não vinha a expor minhas belas estórias, não precisa indagar Zezinho, é da Carocha simquase não dava, pior, quase morri de susto! Ontem ia falar sobre a fada milagrosa, sobre a bruxa-má a pedido do João, sobre a princesa e a rainha da felicidade satisfazendo as meninas, não é Zu? não deu deu foi no que deu, levei um tombo daqueles até me esquecendo dos gases, quase morri! Primeiro foi catarro agora queda, falta o últimoquê’ e esse me levará ao túmulo, adeus estórias. Hoje, se ficarem bonzinhos, narro a do cachorro. Sim encantado, à força da baioneta porém encantado.
Um dia no planeta da mixórdia havia certa bagunça generalizada, ninguém entendia ninguém; corrupção inflação nomeação aberração aflição, uma loucura! Os problemas do mundo insolúveis cada um a puxar a brasa para sua sardinha, se quiserem anotar este pensamento, eu o bolei à hora que vinha vindo contentar vocês narrando estória; repito devagar: cada um a puxar a brasa para sua sardinha, puxar é com xis e brasa com esse, sendo mais um de meus inventos culturais pleno de originalidade. Bem, continuemos.
O que mesmo eu andava a falar, do Bush? não do, ‘no’. Estava, parece-me, fazendo referência a desentendimentozinho entre os povos. Na verdade vivia-se em de guerra. Os assuntos, os corriqueiros assuntos como a fome a miséria e sobretudo o amor. Amor ao dinheiro e ao poder com egoísmos escondidos em todas as línguas – verdadeira Babel. O que você disse?
Ah sim, não está entendendo. Mas Cristo! (como dizia a Nonna) se os povos não se entendem e brigam e se guerreiam, como quer ter o privilégio de entender! Paciência, um dia entenderá o desentendimento. É não ficar com gracinhas, meu João: entende fácil fácil.
Como eu dizia, não me lembro se contei, era no tempo em que os bichos falavam. Quer dizer, falam até nossos dias, os outros é que não percebem, muito menos o homem esse não compreende o homem, vai entender bicho, soubesse apenas o que fala o papagaio que é matraca. Assim todos os representantes dos animais se sentaram à mesa de negociação. Falaram falaram falaram, por fim gritaram e insultaram, um pandemônio sujeito a sopapo e panos quentes. Sem solução. Ninguém se expressava na língua de todos, todos falando na própria língua dos interesses. Uma Cachorrada! No final havia dentadas e uivos, quando surgiu Bush e todos ficaram em expectativa. Ele mandou os enviados votar moção autorizando tomar o petróleo dos outros países; e, exceção de uns poucos capachos, ninguém aderiu a essa ideia. Que fez o Xerife!
Ora, que fez fez o que fez fazendo guerra por conta própria a controlar a riqueza alheia. Todavia isso havia contado... estão me forçando a repetir! que garotos descaridosos vocês me  saíram; estou ficando cansada.
Por hoje chega, benzinhos. Ultimamente não ando bem de saúde, catarro queda e todo mundo sabe o resto. Falei a vocês que o Bush me passou na frente e tropecei no bicho caí tibum no chão?! ainda por cima havia os bestinhas que ficaram rindo de mim, não havendo mais respeito com gente idosa. Devo ir ao médico.

VIII – A consulta, encerrando este papo
Doutor, veio bem a calhar vindo aqui, ia vê-lo para me ver. Veja em que enrascada me encontro, vou lhe contar.
Sabe meu filho – posso assim expressar-me? sou idosa o senhor um jovemvivo uma vida trabalhosa. Todos dias reuno meus netos e conto... hein! contei isso? ah, conto mais uminha vez o senhor deve ser esquecido como eu... Tem um cachorro, o Bush, que... quê? não tem cão no asilo? , como me late sempre e outro dia, nãopassar isso aos meus netinhos, me cai a moraloutro dia o Bush levantou a perninha molhou primeiro a da mesa e depois, pasme Doutor, a minha! Passa, eu falei, falei também um nome feio, antes olhei se tinha criança por perto, somos exemplo. Tenho medo dele, sobretudo quando toma o estilingue. Eu falei ao Miguelinho, filho não faça estilingue que não seja com pau de goiabeira, sabe que.... como! o senhor sabe, que quer saber então. Se tenho febre, não é o médico que deva constatar isso, pois a nossa é costumeiramente inventada. Destempero? Tenho, que neste asilo nós damos a ele outro nome. Eu até comentei com o , o é totalmente surdo e dorme, falei que... o senhor também sabe que é da Carochinha?! anda escutando minhas estórias, suponho... Falei? Puxa! Enfim que deseja, Doutor. Se eu falo sozinha! Meu Deus do céu, onde estamos se os clínicos ficam atrás da porta a ouvir pacientes! não senhor não ando exaltada. A Jandira quem anda: pretendia furar os outros com a agulha de tricô e com a de crochê, eu não deixei e ela chorou e então... Senhor? não ouvi direito. Que ando fazendo? Ora, tem a Zulmira, trato de Zu, tem a Chica, a Chica ela... como, o senhor não quer saber sabe, quem lhe contou isso de nossa intimidade... eu mil e uma vezes! pensei...
Doutor, seja franco comigo, olhe aqui, possuo idade para ser a sua avó: tenho alguma coisa grave!? Por vezes temo a vir tornar-me louca. Penso no futuro, na razão, terei razão?
Que ótimo Doutor, acha que no futuro não serei doida. Que alívio, obrigada. Se quiser, em compensação, conto a do Bush.
Marília   maio  2003


         



           


Nenhum comentário :

Postar um comentário