Democracia
no Subimundo
1° Introito
Não
tendo como transmitir toda verdade, posto que literariamente mas em cima da
verdade entre as mais suculentas rechonchudas fortalhonas verdades – o autor
houve por bem usar um caboclo para narração dos fatos, fatos garante o caipira.
Assim, vai na linguagem dele os fatos, linguagem essa ao ver do escriba bem
pitoresca. Oficiosa, sem manchar as regras oficiais porém atrelada à sonância
dos vocábulos, ninguém inculpando somente o capiau. Digamos estar o matuto usando
no texto de uma liberdade poética na prosa. Prosa, isso mesmo: garante estar
proseando a verdade, mesmo a mentira não aceitando afirmativas. Também os nomes
dos personagens deste contar sobre a democracia no imundo sub desconhece a ortografia
e as bases essenciais formais oficiais mais exigidas no cartório de registro
civil da gente.
2° Personagens
Infindável
a relação assim como sem fim o relato dos acontecimentos envolvendo as figuras
humanas e coisas. Tanto que o escrevinhador presta atenção na fala do narrador
apenas no início dessa série e acorda já no concordando ou discordando no final
da narrativa... Enquanto, dorme o dos justos em sesta de olhos abertos após
farto respasto numa casa de pasto, esta que o homem do campo na cidade nomeia
como restaurante, desconhecendo embora hotel cinco estrelas e a misturar o
roceiro inclusive estrelas com pensão barata.
Vai
lá, entretanto sem ordem porque se houver ordem demais, onde parará a
democracia!
Tem
Muié, tem Ômi, tem Vizinho, têm outros muitos outros como Subserviente,
Coitadinho, Conhecido estranho, Embrulhão (também chamado Picareta), Primo,
Amante, Namorado, Tio, Tia ou Encalhada, Sogro, Genro, Solteirão, Vossa Reverendíssima,
Doutor, Doutor Juiz, Médico, Boticário, Botequineiro, Bebum, Açougueiro (aqui
na função básica de preparar e descascar banana), Banqueiro, Barqueiro (este
sem barco como motorneiro sem bonde e ferroviário sem trem), Latifundiário,
ladrão não tem: roubaram o nome, Inimigo e menos mau: Adversário, Fedegoso; e
antigamente havia não tem mais professor, o qual ensinava em bilingue a fala da
terra e uma escrita de primeiro-mundo... etc.. O autor arregala olhos dorminhocos
“Etc.!” et cetera não é personagem,
seu burro – quer dizer e outras coisas em latim, uma língua que já não existe
na superfície de nossa cultura, em não ser para dados etimológicos; etimológico
também não é personagem, oh jegue. “Ah!” pisca o escrevedor. Natural nesta relação
hajam igualmente as fêmeas de cada espécie. Entendido, partamos à estória.
3° Íntegra da
Estória, em partes
Por
aqueles tempos... quais? ora, naquela época funcionava no Subimundo a democracia, que todos sabem é o regime ideal o
equilíbrio a razão o bem a sabedoria o necessário a satisfação em ter liberdade
vigiada. Nos termos da lei e juramento da constituição... se eu pusesse
constituição com C dos grandes você burraria a indagar se uma personagem: não,
um conjunto de leis a atrapalhar o entendimento humano simples nem sempre bom.
Enfim atrelado à constituição e tudo o mais. Daí houve eleição para escolher os
mandatários provisórios, visto nada em tudo ser definitivo; mesmo porque o
planeta girando adoidado no sistema e o sistema virando sem parar no universo,
nessa ocasião não tão grandalhão como hoje não pelo acréscimo da democracia já
existente mas dos mandatários políticos definitivos. A bem da verdade, essa
verdade tão decantada hoje em dia, não bem os mesmos mandatários políticos e
sim seus primos e primos dos primos no poder, ou seja sempre o mesmíssimo
partido inventado para o povo pensar ele mesmo estar no poder, isso sim
definitivo imutável enquanto durar; ah esses poetas malucos!
Portanto
existindo a democracia e os orangotangos achavam certo esse errado e defendiam
a ideia e ainda votavam e... uh aí vinha a corrupção. O que lembra político, não
o personagem Político, aqui Político da Silva seu criado conto com seu voto
etc. e tal. Não, a classe e esta cheira corrupção. Embora entre o zé-povinho
também haja uma corrupçãozinha que é uma gracinha. Por exemplo, Ômi diz ao
filho numa cerimônia fúnebre bem frequentada “diga pra sua mãe que cheguei faz
horas”; pai, faz só quinze minutos! Ou um vizinho, Vizinho da Silva, ele manda
o garoto falar ao cobrador no portão não estar em casa e para o mesmo voltar
amanhã. Ou ainda comenta outro com um Íntimo amigo, enganei o trouxa passei o
carro podre para frente e comprei este mais novo que é... Uma gracinha. Não, o
bem posicionado homem público não publica suas falcatruas esconde o desvio no
paraíso fiscal e tudo menos.
Como
eu, caipira, dizia, dizia o quê? ah sim os orangotangos votavam eram eleitos;
ih... havia tantos candidatos todo mundo desejando ser candidato e assim quase
não sobrando eleitores para elegê-los; votavam, eleitos, empossados – vai escutando
pois aqui é que a porca torce o rabo – então ficavam eternamente no poder na
pessoa do seu partido, que não é bem pessoa sim entidade, o PO, sigla do
Partido do Orangotango.
Bem.
Havia os orangossambas os orangorroques etc. e como tal se punham. Havendo por
essa razão disputa com vitoriosos e vitoriosos não diplomados por abuso do
poder econômico. Aquele velho negócio de comprar vender votos – a corrupção
graúda e a corrupção miúda. Então aqui há uma vitória de pirro porque o eleito
ganhou não levou, com a corrupção política da oposição impetrando óbices à
situação (situação fosse empossada não foi) ambas traquejadas no mister da
corrupção, aqui entrando Doutor pra valer, advogadinhos advogadões, para quem a
causa é o que menos importa, importa o ganho e a projeção.
É
assim que Subimundo virou um município acéfalo. Quem ganhou, repito: não levou,
levou tempo com medidas legais defensivas contra acusativas, aqui entrando o
Juiz, cuja opinião popular estaria corrupto pois não se pode pichar autoridade
ser corrupta. O fato é que não levou e o tapetão – certo recurso bem imaginado
e costumeiramente dando certo no errado do campeonato esportivo da nação –
configurado com os perdedores da eleição democrática e livre enquanto dure,
esses perdedores orangossambas e orangorroques tentando tomar a vaga
orangotanga impedindo o candidato eleito tomar posse. Inclusive lembrando aqui
haver o orangotando-mor conseguido maioria absoluta no cargo pleiteado, 52% ou
coisa assim, a desistir então a lei de um segundo turno ao cargo eletivo. De
maneira que o eleito não pôde tomar posse como vimos e por esse motivo os
perdedores a disputar no palitinho na sorte do azar das cartas marcadas a fim
de no futuro próximo tomarem eles posse; quer dizer: ainda brigariam
orangossambas e orangorroques quem o mais protegido pelo PO federal a ocupar um
cargo tão importante aos destinos subimundeanos.
Enquanto...
quer dizer enquanto a briga judicial com impetração de solicitações e recursos pra
fazer a alegria causídica dos doutores, o Juiz ora dum lado ora doutro, visto a
justiça ser cega ou de óculos postos quebrados – enquanto isso a urbe sem
governante. O dirigente velho apostando ficar eternamente no poder orangotango.
Mas eis que Juiz brigou um dia, certa madrugada melhor dizer, se desentendeu
com a Esposa ou Amante ou Namorada em belo entrevero conjugal, perdendo para
ela o jogo e por isso, nervoso, obstou o eterno. Foi necessário seguir os
trâmites legais do país onde Subimundo. Não poderia, pergunta-se, não poderia
empossar mesmo que provisoriamente o presidente da câmara, até o desentranhamento
da mixórdia? Sim. Não. Ainda não escolhido o presidente entre vereadores. Isto
posto voltava ao zero a situação e o município continuando acéfalo.
4° Enquanto o
enquanto durar
Enquanto
isso o povo a falar. Abobrinhas borrachas rolhas bolhas estouradas sem nada
dentro. Vê-se que o ar não se vê. Pois não é que o povão fala, matraca sem
parar, sem mais o quê. Num ônibus circular, que sabemos poderá até servir para
se deslocar ou mesmo levar o interessado receber sua aposentadoria; sobretudo
aos interessados velhotes falar. O que falar não tem muita importância, havendo
a possibilidade em abrir a boca. Então Ômi solta as frangas (aqui não mais explicando
a filosofia contida nas expressões, pois os burros ou desacreditam ou não
entendem) põe a boca no trombone e nunca a viola no saco – os outros têm que
ouvir. O orangotango-mor, diz, o orangotango rico pra danar, ganhou uma eleição
com votos certos em previsão de ganho certo também e com contagem certa porém
os ladrão (o plural de ladrão aqui roubado) contaram errado; ainda assim deu
maioria de 53%, “52”
gritou Muié, uma véia
faladeira também pra danar. Bem, deixo por 52 o que ainda maioria absoluta. Não
é que o Juiz, de parte com o demo... demo é povo em grego lembraram. Que seja
mas demo aqui significa mesmo o diabo. Não xingue as mulheres, replica Muié, só
porque a Juíza dizem que bateu no esposo e daí ele não quis deixar o eleito...
O Ômi tem razão, berrou Encalhada já franzida gasta e com língua destamanhão. O
Juiz tava sim com o demônio no corpo, a barrar um santo um justo desejoso de
governar democraticamente Subimundo que andava ainda anda nas garras daqueles
porcos do PO. Inclusive eu votei nele e meus parentes todos mesmo o Primo que
foi cabo eleitoral. Ih não sabem um podre: os outros candidatos, derrotados
graças aos deuses, esses não pagaram os pobres, deram cheques sem fundo aos
pobres cabos deles, geralmente jovens desempregados a tomar um bico no tempo de
eleição pra viver, ajudar a família... Não pagaram os infelizes e bem feito
haverem perdido na apuração e... O que o sr. Coitadinho disse? Coitadinho:
querem ganhar agora no tapetão no entanto o santo-mor orangotango impetrará
recursos, ganhará na justiça o direito conquistado na eleição democrática e
limpa – sim também acho a justiça ceguinha da silva – e ganhará o cargo que
recebeu das mãos do povo em maioria absoluta dos votantes. O motorista, um
Chofer grisalho, não aguentando o barulho do falatório, lembrou (não ouviram em
bate-boca) lembrou de novo estarem chegando, relembrou, não escutaram outra
vez; encostou o veículo e a pressa fez o resto dispersando os linguarudos
seres.
5° Continuação
da Íntegra em partes enquanto durar
Por
essa altura orangotango-mor candidato, eleito não empossado frustrado sem estar
desanimado, orango virara santo entre o povinho fiel subserviente aos poderosos
e... bem, afinal das contas conta-se com a lei; a lei estabelecendo soma
honesta... honesta não bem isso mas absoluta concreta apurada na computação dos
votos e nisto sendo um pretendente, rico ou pobre; este nunca chega ao poder
por falta de poder, o econômico; portanto sobra o rico, quanto mais rico mais
aparece e aparece o seu dinheiro; aliás o povo vive deslumbrado na morte, o
dinheiro para muitos é a morte; os milionários não concordam com tanta poesia de
laivos religiosos e permanecem ou mais ficam ainda ricos. Ora, o eleitor e o
analfabeto antigamente sem direito ao voto e com direito à língua discorrendo
nessa questão, se bandeiam aos lados dos candidatos até se esquecendo sê-los
por causa do poder financeiro ou não sê-lo-iam ficando só eleitores doutros
ricos; esses eleitores e sem letras mesclados na população discutem e discutem
sem parar a coisa – vira um enxame sem perceber vexame, alvoroçados em vista o
óbice legal, com o Juiz negando posse ao eleito, um mor dos maiores que existem
entre orangos do ritmo tango, contra outros ritmos tal o samba ou rock da pesada metálica barulhenta ou
que seja um comportadinho embora importado. Isto não obsta coisa alguma numa
terra em que inclusive a língua da pátria vindo doutra pátria por culpa da
história. O caso é a discussão – inflamada acelerada bombardeada para ouvidos
de quem tenha orelhas.
A
falha judicial – digamos sem peias ou dúvidas haver falha nada caipira, caipira
só a interpretação – a falha segundo o povo, impedindo bloqueando a posse do
eleito, essa trouxe nos meios mundanos um zum-zum, a acordar a sonolência da
coletividade, alguns habitantes para discutir ou só falar sem precisar ser
ouvido, a discutir tanto, tanto se esquecendo comer dormir e mais mais como
fazer mais coisas às vezes proibidas além do sono e alimentação. Apenas se
voltando a discutir. Daí Subserviente e o estranho Conhecido apelam ao erro
frequente de Juiz (em seus respectivos entendimentos erro:) apelam lembrando
outros contundentes deslizes do togado. Aquele negócio mui comum de haver
criminosos (ah e como existem!) a polícia prende, o juiz solta, a sociedade
critica esperneia depois esquece; a coletividade fornece então mais exemplares
em exemplo; ou seja novos contra-lei novas prisões novas solturas para que a
sociedade critique e logo esqueça, melhormente mais interessada num show de cantora pop, linda de morrer. Ou no esporte, o esporte servindo à fuga de
todos dramas, mesmo o da droga... Subserviente diz nestes termos, nestes termos
concorda o sempre discordante Conhecido, um ômi estranho ali de passagem;
porque toda vida na vida social houve os que ouvem ou falam abobrinhas borrachas
rolhas bolhas buf! ou pluft.
6° Continuação
das partes integrais
Largaram
de repente ou cansadas as línguas prenhes então no discurso do medonho e
flagrante erro do juiz eleitoral não permitindo a posse de um santo orangotango
e que seria, e por que não aguardar torcendo por sua vitória, seria um ótimo
prefeito para Subimundo, presa sempre em mãos de ladrões políticos que aumentam
mais ainda sua riqueza com os bens do povo pagos com impostos em dia, fora o caso
dos inadimplentes e dos sem recursos e dos que não quitam dívidas nem com dívida
ativa acionando-se juízes, mas em última análise todos pagam e aqueles
sem-vergonha roubam escandalosamente. Opinião nada de matuto contador de
lorotas porém do Botequineiro para o último dos bebuns, um Bebum a dormir sob
cuidados da garrafa na mesa encardida e ao voo das moscas enxeridas. Do Botequineiro.
Porque
um outro Freguês; o dono diz ser um Cliente, visto parecer-lhe bom pagador,
esse consumidor narra, de início manso lento atento quase lerdo e depois um
pouco presto e alto mais alto após uns outros tragos, conta da vizinha do
quarenta e quatro, não menciona de qual rua, deduz-se ser da sua, no seu
bairro. A vaca a cachorra a p.(aqui sem temer a esposa do homem do bar) se faz
de corça, de ovelha nada desgarrada, e trai escandalosamente o pobre marido,
mesmo estando pertinho o filhinho de nove aninhos. Conta canta no canto já
ébrio também os deslizes morais de outros mais, talvez nem saiba dos deslizes
na eleição.
Nem
os de Juiz nem os de Eleito nem os dos perdedores a tentar o tapetão, que
ganhariam assim duma dor de corno bem apurada ou somente bem narrada.
7° Mais algum
talvez ou quem sabe
Por
essa altura dos fatos o eleito não empossado, tendo em vista o trabalho surdo
no zum-zum da coletividade pobre de conhecimento rica de ignorância espalhando
sabedorias, esse eleito virara já um verdadeiro santo, anjo talvez fosse pouco
no muito e por santo planava em berço esplêndido no seu luxo de milionário.
Agiam seus advogados, o não empossado também causídico de sua própria
necessidade e advogado igualmente formado, aqui empossado com glória e cerimonial,
dizem a propósito da formatura ser formado torto em direito, falam os que sabem
sequer tendo ido conhecer a cidade onde sua universidade, paga bem paga e dando
retorno às suas contribuições um anel de graduação e o direito ao direito – usando
o direito agora em sua própria causa o doutor, pois já entrara com recurso aos
seus 53% apesar de Muié embirrar nos 52. Mas o eleito não empossado de
Subimundo sendo aceito na corte celestial, barrado na corte judicial e daí os recursos
até ao supremo, fosse supremo e fosse necessário, parecendo que sim dizia dona
paciência prima da senhora memória. Enquanto, perdido essa criatura angelical
proposta a ser prefeita do município em questão (ele pronunciando “qüestã” pra
ser diverso da gentalha) enquanto isso então se movimentava o povo e mais ainda
as parcelas religiosas e artistas de rua a compor a modelar peça de escultura e
estatuetas provando por a+b a santificação a provocar devoção e culto. A igreja
consagrada entre os muitos prédios com seus sacerdotes, a reservar o mais
bonito mais apresentável quiçá mais suntuoso a ser agora templo de São
Orangotango-Mor o milagroso, o qual embora não houvesse feito o milagre ainda
de empossar-se prefeito, já procedia a curas notáveis e o maior milagre também
num quem sabe ato desregrado ao doar uns milhões para o templo com seu nome bem
no centro de Subimundo.
Contudo,
isso tudo não assustou a razão nem o sol nem o tempo nem a eternidade.
8° Oposição
bastarda
Aliás
a rigor tudo que destoe da rotina é bastardo e apócrifo, enfim crime como por
exemplo o de lesa-majestade. Os candidatos derrotados pelo derrotado por não
empossado se avistam com Juiz a fim de impetrar um vitorioso tapetão; ou seja a
possibilidade movimentar dados legais e ou empossá-los diretamente ou como
último dos recursos provocar novas eleições; em que ganhariam na certa
orangossambas e orangorroques. Lógico, haveria sessões especiais e à parte no
“comei-vos uns aos outros” dito da nova religião em Subimundo na opinião do Santo.
Sim, admite-se que defrontar-se-iam ambos competidores políticos para sobrar o
melhor (leia-se o com mais poder econômico). O curioso é ambos golpistas ou
tapetistas se julgando o mais válido que o oponente. Claríssimo que nessa
ocasião o Santo não mais santo estaria condenado e na cadeia; aqui abuso porque
os ricos ou fogem ao exterior, de preferência a seus paraísos fiscais, ou formalmente
presos todavia nababescamente tratados e vivendo em suas mansões; seria o caso
do santo. Mas calma, isto hipótese porque o processo orangotango acelerado municiado
por milhões de criaturas, milhões de bens, milhões em dinheiro.
9° Ah o
dinheiro...
Agora
o santo não empossado consulta aplicações de ordens aos seus mequetrefes
advogados; num momento abismado e nervoso o Orangotango-mor imagina estar
diante do Juiz da Juíza santa esposa do juiz e das santas leis, dá-lhes obscenamente
uma banana...
A
banana sempre foi a moeda nacional por excelência e assim de uso do povo.
Logicamente quando ela chega lá em baixo no povão saída da casa da moeda lá em
cima, a banana anda esfarrapada grudando e a cheirar mal, sobretudo as de menor
valor e mais corrente nas mãos da gente miúda – são bananinhas mal granadas ou
passadas ou estragadas, dentro do palpite e lema ‘quem não tem cachorro caça
com gato’; é por aí. Aí comenta o Açougueiro embrulhando mercadoria antes de
embrulhar no preço o Embrulhão (também tido por Picareta, já advertido)
vendendo de novo gato por lebre. Aquela velha questão de passar sebo e retalhos
de terceira por banana de primeira, comum na crise que assola o país não
somente o Subimundo; a banana melhor conformada, bem granada, vistosa no seu
exterior apenas orangotangos-mores têm capacidade aquisitiva a adquirir. Enfim
o Açougueiro comenta (devendo ser na barbearia, onde lugar a discutir política
mulher e futebol, estamos no açougue) ele comenta a reviravolta no caso do
prefeito. Tem uma lei que manda o juiz empossar no cargo vago o que preencheu a
exigência legal e portanto o eleito, no caso com maioria (os 53%); tem outra
medida que prefere mandar o juiz dar ganho aos tapetistas, havendo falcatruas a
tapetar. A coisa – diz o homem a embrulhar numas folhas de jornal do “Diário
Subimundense” do mês passado, curiosamente dando esse periódico como manchete
aquele crime monstruoso sim e também equivalendo outra na primeira página em
letras garrafais sobre o ganho do Orangotango-Mor como prefeito – a coisa tá
nebulosa, embrulhada; aí dá olhadela se o freguês é freguês ou cliente, vê
apenas um Embrulhão esperando já pago sua mercadoria, banana com sebo e
retalhos misturado.
Assim
a situação, a situação que tem oposição mas não tem solução.
O
recurso dos homens lá em cima é entrar com recurso, antes do decurso de prazo.
-
- -
Prazo!
indaga por pensamento o autor abrindo olhos; não se animaria perguntar a um
matuto confuso, pois que o capiau até se esquecera da maioria proposta de
personagens. Se cala.
Marília dezembro
2012
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