Sonho
Desperto
1º - Introito
Difícil
saber a conter pregar (ah pregar...) pegar (a linguagem coloquial de nossa
gente anda cheia da expressão 'pegar' e fui e peguei, diz o dono da rua, dono
somente da rua) e provar – saber conter pregar pegar provar. Provar com prova
de a+b então... não, é difícil mesmo saber. Não obstante e totalmente acordado
pude ajuntar ligar abreviar alargar alongar meu contar no que conto.
Narro
a verossimilhança duma verdade, a qual se não ocupa, e duvido na incerteza da
afirmativa a afirmação; se, ocupou pelo menos durante anos meu ser. Trata-se
duma verdade sem-vergonha, sem-vergonha no meu linguajar é toda teimosia por
menos persistente seja; ou seja todas teimosias em nós homens comuns. Ela aqui
morou (ainda mora?) por anos a fio; não é isso, Doutor? Contudo, tudo quietinho
aqui na mente, minto: fiz conhecimento disso a uns surdo mudo cego, dignos a
respeitarem segredos e segredo de outrem.
-
- -
Movido
pelo drama que vivia-vive minha região, onde moro e tive o berço – drama do paradeiro
e da crise, o drama do emprego o do subemprego o do desemprego o do desespero
até – formulei e tento ainda, ainda! teimoso, um plano bem exequível e nada
absurdo de oferta de colocação e baseamento familiar aos conterrâneos que
precisam. Ao mesmo tempo chocalhar a modorra que vivemos por tempo que o sufoco
julga facilmente ser eterno; curiosamente tão só pondo a culpa disso na
prolongada crise, a crise em país do terceiro mundo é mesmo eterna enquanto
durar, diz o poeta. A gente pondo a culpa nas costas largas do governo – e
convenhamos os homens que só pensam a política não como estadistas porém no
benefício de sua eleição na eleição; tais homens são também mui responsáveis
pela crise e pelo estado do Estado e pelas partes regionais que compõem o país.
Todavia a população também (insisto: também) é responsável, corresponsável, no
estado de coisas. Façamos, falei aos cego mudo surdo, façamos nossa parte. Fiz
faço minha parte. Aqui incluo a sorte como coadjuvante.
Explico:
2º - A
Loteria
Não
é que acertei na loteria!
O
Doutor lembra bem disso, não é mesmo?
Não
se trata aqui de jogo sujo nem de jogo em contravenção, posto sermos populares,
somos os homens comuns de sempre e que se arriscam na rifa ilegal e piormente
procuram as bancas de revistas e os botecos e piormente os locais inseguros
onde distribuição de droguinhas toleradas para tentar no bicho... vai dar a
cobra o veado e me lembro haver um dia jogado, joguei duas vezes apenas, uma
ganhei outra perdi o que havia ganho e perdi mais um pouquinho – burro, escolhi
o burro, recebi da honestidade da banca ilegal três cruzeiros, na época um
dinheirão, e daí arrisquei quatro cruzeiros perdi os quatro ao errar, dera
vaca! oh a vaca...
"Bom"
diz o coloquialismo, quando devera dizer "bem", agora é agora e agora
não joguei no bicho arrisquei na Loteria. De fato, lembro por tempo ter
escolhido um número que repeti meses, dando em nada ou na melhor dessa pior
hipótese coincidindo o mesmo número e a receber o incentivo de não haver
perdido inteirinho o meu dinheiro empregado. A loteria favoreceu-me. O pior
nesse melhor é haver ganho! Uma bolada incontável. A Caixa Federal correu me
esconder da imprensa abelhuda quiçá do povo e mais de bandidos.
Vixe,
fiquei rico porém vivi num 'medaço'. O tempo passou, passei então a imaginar
pôr em prática aquele dito plano para melhorar a situação da região onde
pretendo morrer e quem sabe numa futura reencarnação ter aí novamente o berço
pois que amo meu município.
Pus-me
a executar o plano aos poucos, porém sem dar muito na vista.
3º - Um Renascer no
Mesmo Canto
Com
a importância adquiri por intermédio de idônea imobiliária um terreno enorme,
não garanto a área em vista minha fraqueza em Matemática, os mestres no Ginásio
do Estado ou Estadão como conhecido o estabelecimento, me conferiram
baixíssimas menções e mais ainda o padre de Latim que além das notas zero me
fazia de palhaço com giz no quadro-negro, para riso dos meus colegas. Me lembro
nitidamente sua pronúncia germânica "o senhorr feio tô Korréia?" era
tempo da Guerra da Coreia. Os meninos se escangalhavam de rir e me gozavam por
isso também. É, tem um dizer 'a males que vêm para o bem' não tem? pois o tal
professor me lançou a fugir da timidez doentia para ficar apenas o que hoje
sou, meio tímido e normal; entretanto que seria 'normal'.
Sobre
o assunto o Doutor conhece bem...
Bem,
esqueçamos tal lembrança, partamos à frente.
Comprei
uma fazendola. Posteriormente surgi na cena ao esfriar o impacto do povo saber
um desconhecido joão-ninguém a virar rico. Sim o homem do povo, pobre, rico imagina
quem tenha quaisquer possezinhas. Eu era sem tomarem conhecimento mil vezes
rico, milionário, com ajuda da sorte grande e com ajuda dos cuidados bancários,
ou melhor dos banqueiros e do temido Imposto de Renda. O povo não sabendo coisa
alguma, ao ver um endinheirado comprar uma propriedade abandonada com pasto
sujo e terra pobre. O comentário decerto "quem será o louco a adquirir
mataria braba largada..."
Posto
isso e em continuação, meus agentes (empregara dois homens discretos e competentes
a me representar nas negociações, visto eu não me achar seguro nem conhecer do métier; antes contratara um rábula e
descobrira sinais desonestos em seu ser, nunca confiara em advogados, todos
soubera malandros; tanto assim logo no primeiro momento num negócio tentara o
mesmo ludibriar certo fazendeiro, então meu vizinho na fazenda e por isso
dispensei o profissional, ficando apenas com os dois que senti discretos e
honestos). Esses meus agentes me compraram outra e mais outras terras na
vizinhança, estas produtivas e não abandonadas como andava a pequena fazenda já
minha. Fui através deles e aos poucos anos adquirindo lotes mais. Enfim agora
já sendo um verdadeiro latifundiário e até deixando ser um zé-solteirão desconhecido
para virar Senhor José; os abusivos e melosos bajuladores me indicando como
"Doutor" e daí com nome formado. Não me refiro ao Doutor aqui...
Assim às claras aumentava a propriedade e o pior nisso era, ao arrepio de minha
timidez, ser considerado um grandalhão nos meios oficiais, a ponto tal
semelhando ao dito popular "seus desejos são para nós ordens!"
Naturalmente
me comportando o mais próximo de minha nova classe social, embora no íntimo
lembrando a penúria e o desconhecimento anteriores – isso se não esquece de
fato, mesmo que a coletividade não se lembre mais. Engordei um pouco, envelheci
bastante em o novo ritmo; me curvei vezes muitas às exigências sociais; contudo
nunca abusei nem me degenerei a me prevalecer das vantagens que a sociedade oferece
aos ricos. Tenho também comigo de nunca nesta existência haver espezinhado
alguém; isto que pode ser meu único mérito. (Aqui olho a reação do Doutor...)
Apesar
reconheço haver modificado a estrutura social, pra melhor, o que igualmente um
mérito, além ser o fundamento e meu objetivo ainda quando pobretão – fundamento
que é ser um fator para melhora considerável da condição regional. E assim agi
por amar sobretudo minha terra; onde um dia pretendo renascer... o Doutor,
creio, não crê.
Entretanto
vamos à aplicação do plano, o que fiz já e o que faço e talvez o que farei.
4º - A execução
O
sonho desperto assim proposto dá-nos ideia de uma imagem que se acordou. Não.
Aqui trata-se duma pessoa ainda sonhando ainda acordada e mesmo com mudo com
surdo com cego ali a ouvir, assim mesmo sonha. Ora, comum o idealista, aquele
sujeito que por mais rodeado na multidão, a multidão não vendo não percebendo
não conscientizando e apesar sonha o sonho, embora a conversar normalmente com
outrem. Ainda não sabemos que possa ser tomado normal.
Eu
ando faz muito tempo desse jeito. A multidão anos afora, ninguém a saber o que
na cuca desse zé. Pensava a desgraceira a envolver meu município, a reboque
indo com a tormenta da nação. Isso doía; doía ainda mais a reclamação o
discurso repetitivo da gente a procurar colocação e a tornar aos lares pobres
sem solução; sem emprego e por último até sem subemprego. Até o desespero! A
lástima a grita a revolta inclusive; e o aumento visível do crime como roubos
pequenos, crendo a isso ligado. E as autoridades, perguntávamos dentro da multidão.
O povo miúdo não só reclama e põe a culpa nos homens lá, nos grandes, no
governo, enfim entidades; vez que outra acha culpado o prefeito, antes seu
candidato depois seu ladrão. É a tônica tanto aqui no município quanto na
província como no resto do país. Verdade que, apesar das dificuldades, sempre
surge na economia podre algum pequeno empresário descapitalizado e de
iniciativa a inaugurar um empreendimentozinho; enquanto outro fecha a porta.
Miúdos. Não sendo época de eleição, os políticos prometem e não cumprem, depois
empossados não cumprem e põem a culpa na crise mundial para não cumprir.
Foi
nessa crise da crise ou antes, antes da crise que abala agora o mundo, foi
então que, desperto, tive o sonho de realizar um anteparo à questão em questão
e não expus a ninguém; isto é: nem o mudo nem o surdo nem o cego mudariam o
cenário exposto; enquanto o zé-do-povo não proclamando seu sonho, isto porque
quem sonha acordado é visto por louco... Não é louco, Doutor?
Não
obstante via melhor, tendo proposta se não à solução à minoração do problema. A
questão principal seria ao zé-ninguém o capital a bancar o conserto ao concerto
social. Pelo menos no que consta à nossa terra, pensava (não seria louco
publicar isso...) Mas eis que – não o bicho porém a loteria ou seja um meio
lícito, me deu a oportunidade pra fazer o que fiz o que faço o que pretendo fazer com a graça do tesouro
recebido em sorte.
a)Minhas
fazendas, sobremaneira as partes incultas ou apenas de solo fraco e desgastado
pois as áreas produtivas com café cereais e fruteiras estas continuaram por
meus administradores a produzir tal qual antes em mãos dos antigos proprietáros
– falo das improdutivas como a primeira que adquiri estando largada – elas
passaram por um processo de restauração dos elementos com esterco natural e até
algum mineral acrescentado (sem envenenar o solo) e nisso fui orientado por
gente conhecedora e técnicos reconhecidos. As mais das vezes usei mesmo na
recomposição do solo os restos de colheitas. Proibi inclusive a queima de
vegetais, provindo do hábito mui arraigado dos caboclos e seus ancestrais
indígenas antes da fundação do município.
Havia
feito um projeto de encher o solo de árvores frutíferas – laranjeira abacateiro
etc. – a fim de manter o custeamento da obra, tendo em vista que minha enorme
fortuna um dia viesse a acabar: a produção das fruteiras reporiam as perdas e
manteria o básico empregado no bem das famílias sob minha jurisdição. Assim foi
e está sendo.
b)Plantei
inteirinha a fazendola inicial com mandioca e um que outro vegetal mais
teimoso; o próprio mato é teimoso. Mandei deixá-la assim meses; fiz roçarem
secar tornar palha e reaproveitei tudo para enriquecimento do chão. Daí plantei
árvores frutíferas. A par disso, nas áreas posteriormente adquiridas e já
produzindo antes, exigi enriquecimento; enfim o mesmo sistema empregado na
minha primeira propriedade.
c)A
questão hídrica. Desviei curso de córregos, pus bombas de sucção; implantei
irrigação em todas áreas. Naturalmente tive não só êxito e sim conflitos com
vizinhos por isso. Em contrapartida fui imitado nos arredores, dando-se
portanto valor às reformulações que implantei.
d)A
gente, este item merece capítulo.
5º - A Gente
Tudo
fora feito e está sendo executado, continuará a ser reformulado, em função dos
trabalhadores.
E
aqui não estou a usar palanque: digo que fiz e faço.
Todo
e qualquer trabalhador foi desde o início do empreendimento registrado conforme
a lei. Nada extravagante nisso pois optei a pagar o mínimo legal a todos
indistintamente – um que outro funcionário recebe pouco mais que o teto salarial
– a fim de sobrar capital para ajustar mais famílias, empregar mais, ter mais
garantia. Em resumo o objetivo importante da obra é a fixação do pessoal. Não o
mostrar e engrandecer a fim de envaidecer patrões, menos o patrão que sou eu.
Talvez se fosse o chefe casado houvesse agora ter que subdividir poder, dividir
renda renda houvesse e não (o que ocorre) reemprego de dividendos na obra. Ora,
não poderia haver até aqui desentendimento conflito briga e inclusive crime
como relata a crônica da história do país! Eu não brigo com nenhum familiar e
já deixei a administração geral do processo preparada a eventual caso de minha
falta por morte ou qualquer impedimento, para a obra prosseguir nos moldes
previstos – fórmula correta e engatilhada e escriturada oficialmente à minha
substituição por um colegiado pequeno porém ativo e já se preparando... Sim,
existe então aqui um futuro no presente. O Doutor está compreendendo?
Continuemos
no item gente.
A
cada família contratada através do seu principal elemento – o trabalhador ou a
trabalhadora, quase sempre genitores da casa – a cada destinei uma residência,
embora de aspecto modesto. Isto porque quando antes de vir a família trabalhar
para mim, pagava ela aluguel e morando por vezes em taperas e favelas, e
havendo o drama da condução.
Resolvi
tudo. Primeiro os próprios trabalhadores constroem as casas, depois são
chamados a ocupá-las ad aeternum
porque nunca pedirá a diretoria a restituição do imóvel se bem que haja
exigência de não poderem vender nem sublocá-las.
Quanto
à condução de cada um temos condições.
A
primeira exigência é o interesse local da empresa. Chamá-la-ei Empresa do
Senhor José, a fim de não atrair atenção fora de nosso município; a solução
proposta é para resolução de questões nossas e não doutro lugar.
Ninguém
morre de fome aqui; além do apoio à saúde. A Saúde em todo país anda enferma;
não é assim, Doutor! Aqui contratamos técnicos da área e até alguns
especialistas, a dar apoio e segurança aos trabalhadores e colaboradores.
Se
pode alguém daqui se mudar? se existe choques dentro desta comunidade? se temos
os que veem o corpo administrativo como inimigo e explorador? Óbvio. Gente. Não
modificamos o essencial na gente. Contudo demos um trato e fornecemos meios e
amparo a todos.
Nunca
garantimos que um mero funcionário deste lugar se tornaria rico. Damos
entretanto o apoio possível à vida com o dia seguro, escola básica aos filhos,
posto de saúde a todos indistintamente também e favorecemos a condução, o transporte.
O item condução necessita igualmente mais desenvolvimento.
6º
- Condução
Não
a conduta, isto não podemos, nem posso impor, é da moral secular e milenar até
e não nos propomos alterar – só colaborar à melhora, sobretudo com nosso
exemplo.
O
caso do trabalhador que reside fora de nossa comunidade, esse como em qualquer
empresa precisa pagar seu coletivo, ônibus ou trem ou fretamento; é tudo por
sua conta. No entanto, chegando à nossa comunidade à nossa área geográfica
específica – é custeado pela empresa. Até se decidir morar e aceitar ficar numa
casa no conjunto habitacional daqui. Não há casa gêmea, é toda isolada e até
com um quintalinho para hortaliça ou criar galinha por exemplo; à criança
brincar. Dentro da área restrita não paga condução, assim como não paga
aluguel. E se preciso for, a empresa transporta o doente se doente ou o
estudante se o filho precisar estudo além do básico a outro local, seja ou não
em nosso município. Tudinho sem despesa, inclusive fornecemos medicamentos e
material didático aos entes necessitados.
Comparado
à vida lá fora, não deixa ser um pequeno paraíso.
Todavia
o item condução será melhor entendido se desdobrado; e aqui é que melhor
aparecemos ao mundo nesta época de tanta crise.
7º
- Realizações (Convincentes!)
No
século passado o país passou por uma alteração considerável na sua estrutura
econômica, podendo e poderia ter dados passos enormes para chegar à potência
como ele imaginava então. Contudo houve uma modificação essencial – de pequena
monta? de grande proporção? e que foi a opção rodoviária no ponto logístico;
deixamos de incentivar a via fluvial baratíssima e a proposta menos barata da
ferrovia, então em expansão e importamos, depois fabricamos, veículos automotores;
deixamos o barco de custo baixo e o trem de custo pequeno; optando pelas
estradas de rodagem caras; (amargamos até hoje a manutenção mal feita e
dispendiosa; e não cumprimos a meta toda de abertura de novos caminhos ao
desenvolvimento); optamos pelos carros e veículos pesados, pesados ao bolso da
pátria. O que se viu antes de acabar o século XX foi o abandono quase total da
malha ferroviária e no mar a cabotagem; navegação nos rios nem se fale. Os
ferroviários foram aposentados ou pra rua – e o povo pagando a conta pelo
combustível caro cobrado no custo de vida, no alimento na farmácia etc.. Em
nossa região é flagrante: são trilhos em esqueletos abandonados, o mato a
cobri-los. Tudindo largado!
Não
adianta procurar as causas e aqui nos enroscamos em políticos e vendilhões da
pátria, antigamente chamados entreguistas... O fato principal é que não há
aproveitamento do bem largado. Pouquíssimos municípios ainda reaproveitaram o
antes existente trem, montando pequenos percursos turísticos; a esmagadora
maioria da nação largou ao mato os leitos. É este o caso de nossa urbe. Vejo –
e sofro – isto nisso. Daí em meus sonhos despertos imaginava um reaproveitamento,
não dos carris pois foram ao desmonte ou ao cemitério mas dos trilhos já assentados
e... mortos! Pensei que deveríamos primeiramente incentivar o uso do material
então obsoleto com fim de turismo – parece que a ideia não pegou. Em segundo
lugar ocupar desocupados na população (e aqui sendo um dado social de grande
valia, concorda o Doutor?) desocupados agora engolidos pela crise. Seria, se
não uma solução, um paliativo a fixar gente em debanda aos centros mais populosos;
ocupar-se-iam desocupados pela indústria neles, elas também morrendo sem apoio
das autoridades do país, as quais não se importam que se importe tudo... Enfim
pensei em segurar o homem da terra e ao mesmo tempo ofertar a ele
entretenimento, básico à saúde mental do povão.
Todavia
tudo não passou de sonho, embora acordado. Porque não dispunha de força
política a tanto, inexpressivo homem comum que era; e os políticos que poderiam
empreender tal possível melhora, sendo apenas políticos ou meros policoides.
Hoje mudou de figura; graças à minha sorte grande. Empreguei o tesouro que me
coube pela loteria, lastreei uma empresa e contratei, ocupando um mundo de
gente.
Em
primeiro lugar pus em prática nos poucos anos de ação a ideia de manutenção da
própria terra pela terra: plantei árvores frutíferas, assim reflorestando
também; e essas árvores produziram, vendemos parte da produção e ainda usamos a
produção fabricando dentro da propriedade e até em larga escala doces de gosto
nacional; chegamos inclusive a importar de outros municípios produtores matéria
prima, frutas por exemplo e em falta em a nossa produção local. Naturalmente o
excedente produzido pela árvore e pela agroindústria ofertamos aos pontos
assistenciais, quase sempre religiosos pois a gente no governo nada cria nem
conserva o que temos em amparo ao povo pobre. Assim geramos, além da ocupação
dos trabalhadores, renda aos poderes constituídos visto a empresa pagar
impostos.
O
segundo fator foi o aproveitamento turístico com o empreendimento. Usamos o
leito das estradas de ferro abandonadas; e aqui pagamos tributo alto ao descaso
porque os membros do governo, que sempre não mexem palha, diz o gosto da gente
pagante; ainda criam embaraços às iniciativas, qual a nossa de tentar usar o
arcabouço instalado abandonado. Fomos pra diante e implantamos caminhos de
ferro não existentes antes na área da própria empresa e estabelecemos além de
horários condições de funcionamento dos trens, parte à serventia no transporte
local de carga parte com passageiros, estes mormente nos fins de semana e
feriados. Dessa forma proporcionamos passeios agradáveis quase gratuitos pois
que bilhetes a preços simbólicos, nem atingindo
'lucro' o custo e aqui bancado tudo pela empresa; além de termos dado
oportunidade também e possibilidade ao uso de passageiros de qualquer origem,
seja fora daqui ou dentro da nossa área urbana, sejam aos filhos dos
empregados-colaboradores. Enfim ofertando às famílias diversão útil e barata.
Também
nisso tivemos problemas porque necessitamos alugar trechos onde a locomotiva e
seus carros passando por terras de vizinhos.
E
isso tudo não é pouca realização, num país que não cuida de ocupar sua
população e dar a ela o descanso mental que a diversão sadia oferece.
Concordaria comigo o senhor doutor representante da Casa de Repouso!?
São Paulo março
2018
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