segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Sonho Desperto


Sonho Desperto

-  Introito
Difícil saber a conter pregar (ah pregar...) pegar (a linguagem coloquial de nossa gente anda cheia da expressão 'pegar' e fui e peguei, diz o dono da rua, dono somente da rua) e provar – saber conter pregar pegar provar. Provar com prova de a+b então... não, é difícil mesmo saber. Não obstante e totalmente acordado pude ajuntar ligar abreviar alargar alongar meu contar no que conto.
Narro a verossimilhança duma verdade, a qual se não ocupa, e duvido na incerteza da afirmativa a afirmação; se, ocupou pelo menos durante anos meu ser. Trata-se duma verdade sem-vergonha, sem-vergonha no meu linguajar é toda teimosia por menos persistente seja; ou seja todas teimosias em nós homens comuns. Ela aqui morou (ainda mora?) por anos a fio; não é isso, Doutor? Contudo, tudo quietinho aqui na mente, minto: fiz conhecimento disso a uns surdo mudo cego, dignos a respeitarem segredos e segredo de outrem.
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Movido pelo drama que vivia-vive minha região, onde moro e tive o berço – drama do paradeiro e da crise, o drama do emprego o do subemprego o do desemprego o do desespero até – formulei e tento ainda, ainda! teimoso, um plano bem exequível e nada absurdo de oferta de colocação e baseamento familiar aos conterrâneos que precisam. Ao mesmo tempo chocalhar a modorra que vivemos por tempo que o sufoco julga facilmente ser eterno; curiosamente tão só pondo a culpa disso na prolongada crise, a crise em país do terceiro mundo é mesmo eterna enquanto durar, diz o poeta. A gente pondo a culpa nas costas largas do governo – e convenhamos os homens que só pensam a política não como estadistas porém no benefício de sua eleição na eleição; tais homens são também mui responsáveis pela crise e pelo estado do Estado e pelas partes regionais que compõem o país. Todavia a população também (insisto: também) é responsável, corresponsável, no estado de coisas. Façamos, falei aos cego mudo surdo, façamos nossa parte. Fiz faço minha parte. Aqui incluo a sorte como coadjuvante.
Explico:

- A Loteria
Não é que acertei na loteria!
O Doutor lembra bem disso, não é mesmo?
Não se trata aqui de jogo sujo nem de jogo em contravenção, posto sermos populares, somos os homens comuns de sempre e que se arriscam na rifa ilegal e piormente procuram as bancas de revistas e os botecos e piormente os locais inseguros onde distribuição de droguinhas toleradas para tentar no bicho... vai dar a cobra o veado e me lembro haver um dia jogado, joguei duas vezes apenas, uma ganhei outra perdi o que havia ganho e perdi mais um pouquinho – burro, escolhi o burro, recebi da honestidade da banca ilegal três cruzeiros, na época um dinheirão, e daí arrisquei quatro cruzeiros perdi os quatro ao errar, dera vaca! oh a vaca...
"Bom" diz o coloquialismo, quando devera dizer "bem", agora é agora e agora não joguei no bicho arrisquei na Loteria. De fato, lembro por tempo ter escolhido um número que repeti meses, dando em nada ou na melhor dessa pior hipótese coincidindo o mesmo número e a receber o incentivo de não haver perdido inteirinho o meu dinheiro empregado. A loteria favoreceu-me. O pior nesse melhor é haver ganho! Uma bolada incontável. A Caixa Federal correu me esconder da imprensa abelhuda quiçá do povo e mais de bandidos.
Vixe, fiquei rico porém vivi num 'medaço'. O tempo passou, passei então a imaginar pôr em prática aquele dito plano para melhorar a situação da região onde pretendo morrer e quem sabe numa futura reencarnação ter aí novamente o berço pois que amo meu município.
Pus-me a executar o plano aos poucos, porém sem dar muito na vista.

3º - Um Renascer no Mesmo Canto                  
Com a importância adquiri por intermédio de idônea imobiliária um terreno enorme, não garanto a área em vista minha fraqueza em Matemática, os mestres no Ginásio do Estado ou Estadão como conhecido o estabelecimento, me conferiram baixíssimas menções e mais ainda o padre de Latim que além das notas zero me fazia de palhaço com giz no quadro-negro, para riso dos meus colegas. Me lembro nitidamente sua pronúncia germânica "o senhorr feio tô Korréia?" era tempo da Guerra da Coreia. Os meninos se escangalhavam de rir e me gozavam por isso também. É, tem um dizer 'a males que vêm para o bem' não tem? pois o tal professor me lançou a fugir da timidez doentia para ficar apenas o que hoje sou, meio tímido e normal; entretanto que seria 'normal'.
Sobre o assunto o Doutor conhece bem...
Bem, esqueçamos tal lembrança, partamos à frente.
Comprei uma fazendola. Posteriormente surgi na cena ao esfriar o impacto do povo saber um desconhecido joão-ninguém a virar rico. Sim o homem do povo, pobre, rico imagina quem tenha quaisquer possezinhas. Eu era sem tomarem conhecimento mil vezes rico, milionário, com ajuda da sorte grande e com ajuda dos cuidados bancários, ou melhor dos banqueiros e do temido Imposto de Renda. O povo não sabendo coisa alguma, ao ver um endinheirado comprar uma propriedade abandonada com pasto sujo e terra pobre. O comentário decerto "quem será o louco a adquirir mataria braba largada..."
Posto isso e em continuação, meus agentes (empregara dois homens discretos e competentes a me representar nas negociações, visto eu não me achar seguro nem conhecer do métier; antes contratara um rábula e descobrira sinais desonestos em seu ser, nunca confiara em advogados, todos soubera malandros; tanto assim logo no primeiro momento num negócio tentara o mesmo ludibriar certo fazendeiro, então meu vizinho na fazenda e por isso dispensei o profissional, ficando apenas com os dois que senti discretos e honestos). Esses meus agentes me compraram outra e mais outras terras na vizinhança, estas produtivas e não abandonadas como andava a pequena fazenda já minha. Fui através deles e aos poucos anos adquirindo lotes mais. Enfim agora já sendo um verdadeiro latifundiário e até deixando ser um zé-solteirão desconhecido para virar Senhor José; os abusivos e melosos bajuladores me indicando como "Doutor" e daí com nome formado. Não me refiro ao Doutor aqui... Assim às claras aumentava a propriedade e o pior nisso era, ao arrepio de minha timidez, ser considerado um grandalhão nos meios oficiais, a ponto tal semelhando ao dito popular "seus desejos são para nós ordens!"
Naturalmente me comportando o mais próximo de minha nova classe social, embora no íntimo lembrando a penúria e o desconhecimento anteriores – isso se não esquece de fato, mesmo que a coletividade não se lembre mais. Engordei um pouco, envelheci bastante em o novo ritmo; me curvei vezes muitas às exigências sociais; contudo nunca abusei nem me degenerei a me prevalecer das vantagens que a sociedade oferece aos ricos. Tenho também comigo de nunca nesta existência haver espezinhado alguém; isto que pode ser meu único mérito. (Aqui olho a reação do Doutor...)
Apesar reconheço haver modificado a estrutura social, pra melhor, o que igualmente um mérito, além ser o fundamento e meu objetivo ainda quando pobretão – fundamento que é ser um fator para melhora considerável da condição regional. E assim agi por amar sobretudo minha terra; onde um dia pretendo renascer... o Doutor, creio, não crê.
Entretanto vamos à aplicação do plano, o que fiz já e o que faço e talvez o que farei.

- A execução
O sonho desperto assim proposto dá-nos ideia de uma imagem que se acordou. Não. Aqui trata-se duma pessoa ainda sonhando ainda acordada e mesmo com mudo com surdo com cego ali a ouvir, assim mesmo sonha. Ora, comum o idealista, aquele sujeito que por mais rodeado na multidão, a multidão não vendo não percebendo não conscientizando e apesar sonha o sonho, embora a conversar normalmente com outrem. Ainda não sabemos que possa ser tomado normal.
Eu ando faz muito tempo desse jeito. A multidão anos afora, ninguém a saber o que na cuca desse zé. Pensava a desgraceira a envolver meu município, a reboque indo com a tormenta da nação. Isso doía; doía ainda mais a reclamação o discurso repetitivo da gente a procurar colocação e a tornar aos lares pobres sem solução; sem emprego e por último até sem subemprego. Até o desespero! A lástima a grita a revolta inclusive; e o aumento visível do crime como roubos pequenos, crendo a isso ligado. E as autoridades, perguntávamos dentro da multidão. O povo miúdo não só reclama e põe a culpa nos homens lá, nos grandes, no governo, enfim entidades; vez que outra acha culpado o prefeito, antes seu candidato depois seu ladrão. É a tônica tanto aqui no município quanto na província como no resto do país. Verdade que, apesar das dificuldades, sempre surge na economia podre algum pequeno empresário descapitalizado e de iniciativa a inaugurar um empreendimentozinho; enquanto outro fecha a porta. Miúdos. Não sendo época de eleição, os políticos prometem e não cumprem, depois empossados não cumprem e põem a culpa na crise mundial para não cumprir.
Foi nessa crise da crise ou antes, antes da crise que abala agora o mundo, foi então que, desperto, tive o sonho de realizar um anteparo à questão em questão e não expus a ninguém; isto é: nem o mudo nem o surdo nem o cego mudariam o cenário exposto; enquanto o zé-do-povo não proclamando seu sonho, isto porque quem sonha acordado é visto por louco... Não é louco, Doutor?
Não obstante via melhor, tendo proposta se não à solução à minoração do problema. A questão principal seria ao zé-ninguém o capital a bancar o conserto ao concerto social. Pelo menos no que consta à nossa terra, pensava (não seria louco publicar isso...) Mas eis que – não o bicho porém a loteria ou seja um meio lícito, me deu a oportunidade pra fazer o que fiz o que faço o que  pretendo fazer com a graça do tesouro recebido em sorte.
a)Minhas fazendas, sobremaneira as partes incultas ou apenas de solo fraco e desgastado pois as áreas produtivas com café cereais e fruteiras estas continuaram por meus administradores a produzir tal qual antes em mãos dos antigos proprietáros – falo das improdutivas como a primeira que adquiri estando largada – elas passaram por um processo de restauração dos elementos com esterco natural e até algum mineral acrescentado (sem envenenar o solo) e nisso fui orientado por gente conhecedora e técnicos reconhecidos. As mais das vezes usei mesmo na recomposição do solo os restos de colheitas. Proibi inclusive a queima de vegetais, provindo do hábito mui arraigado dos caboclos e seus ancestrais indígenas antes da fundação do município.
Havia feito um projeto de encher o solo de árvores frutíferas – laranjeira abacateiro etc. – a fim de manter o custeamento da obra, tendo em vista que minha enorme fortuna um dia viesse a acabar: a produção das fruteiras reporiam as perdas e manteria o básico empregado no bem das famílias sob minha jurisdição. Assim foi e está sendo.
b)Plantei inteirinha a fazendola inicial com mandioca e um que outro vegetal mais teimoso; o próprio mato é teimoso. Mandei deixá-la assim meses; fiz roçarem secar tornar palha e reaproveitei tudo para enriquecimento do chão. Daí plantei árvores frutíferas. A par disso, nas áreas posteriormente adquiridas e já produzindo antes, exigi enriquecimento; enfim o mesmo sistema empregado na minha primeira propriedade.
c)A questão hídrica. Desviei curso de córregos, pus bombas de sucção; implantei irrigação em todas áreas. Naturalmente tive não só êxito e sim conflitos com vizinhos por isso. Em contrapartida fui imitado nos arredores, dando-se portanto valor às reformulações que implantei.
d)A gente, este item merece capítulo.

- A Gente
Tudo fora feito e está sendo executado, continuará a ser reformulado, em função dos trabalhadores.
E aqui não estou a usar palanque: digo que fiz e faço.
Todo e qualquer trabalhador foi desde o início do empreendimento registrado conforme a lei. Nada extravagante nisso pois optei a pagar o mínimo legal a todos indistintamente – um que outro funcionário recebe pouco mais que o teto salarial – a fim de sobrar capital para ajustar mais famílias, empregar mais, ter mais garantia. Em resumo o objetivo importante da obra é a fixação do pessoal. Não o mostrar e engrandecer a fim de envaidecer patrões, menos o patrão que sou eu. Talvez se fosse o chefe casado houvesse agora ter que subdividir poder, dividir renda renda houvesse e não (o que ocorre) reemprego de dividendos na obra. Ora, não poderia haver até aqui desentendimento conflito briga e inclusive crime como relata a crônica da história do país! Eu não brigo com nenhum familiar e já deixei a administração geral do processo preparada a eventual caso de minha falta por morte ou qualquer impedimento, para a obra prosseguir nos moldes previstos – fórmula correta e engatilhada e escriturada oficialmente à minha substituição por um colegiado pequeno porém ativo e já se preparando... Sim, existe então aqui um futuro no presente. O Doutor está compreendendo?
Continuemos no item gente.
A cada família contratada através do seu principal elemento – o trabalhador ou a trabalhadora, quase sempre genitores da casa – a cada destinei uma residência, embora de aspecto modesto. Isto porque quando antes de vir a família trabalhar para mim, pagava ela aluguel e morando por vezes em taperas e favelas, e havendo o drama da condução.
Resolvi tudo. Primeiro os próprios trabalhadores constroem as casas, depois são chamados a ocupá-las ad aeternum porque nunca pedirá a diretoria a restituição do imóvel se bem que haja exigência de não poderem vender nem sublocá-las.
Quanto à condução de cada um temos condições.
A primeira exigência é o interesse local da empresa. Chamá-la-ei Empresa do Senhor José, a fim de não atrair atenção fora de nosso município; a solução proposta é para resolução de questões nossas e não doutro lugar.
Ninguém morre de fome aqui; além do apoio à saúde. A Saúde em todo país anda enferma; não é assim, Doutor! Aqui contratamos técnicos da área e até alguns especialistas, a dar apoio e segurança aos trabalhadores e colaboradores.
Se pode alguém daqui se mudar? se existe choques dentro desta comunidade? se temos os que veem o corpo administrativo como inimigo e explorador? Óbvio. Gente. Não modificamos o essencial na gente. Contudo demos um trato e fornecemos meios e amparo a todos.
Nunca garantimos que um mero funcionário deste lugar se tornaria rico. Damos entretanto o apoio possível à vida com o dia seguro, escola básica aos filhos, posto de saúde a todos indistintamente também e favorecemos a condução, o transporte. O item condução necessita igualmente mais desenvolvimento.

- Condução
Não a conduta, isto não podemos, nem posso impor, é da moral secular e milenar até e não nos propomos alterar – só colaborar à melhora, sobretudo com nosso exemplo.
O caso do trabalhador que reside fora de nossa comunidade, esse como em qualquer empresa precisa pagar seu coletivo, ônibus ou trem ou fretamento; é tudo por sua conta. No entanto, chegando à nossa comunidade à nossa área geográfica específica – é custeado pela empresa. Até se decidir morar e aceitar ficar numa casa no conjunto habitacional daqui. Não há casa gêmea, é toda isolada e até com um quintalinho para hortaliça ou criar galinha por exemplo; à criança brincar. Dentro da área restrita não paga condução, assim como não paga aluguel. E se preciso for, a empresa transporta o doente se doente ou o estudante se o filho precisar estudo além do básico a outro local, seja ou não em nosso município. Tudinho sem despesa, inclusive fornecemos medicamentos e material didático aos entes necessitados.
Comparado à vida lá fora, não deixa ser um pequeno paraíso.
Todavia o item condução será melhor entendido se desdobrado; e aqui é que melhor aparecemos ao mundo nesta época de tanta crise.

- Realizações (Convincentes!)
No século passado o país passou por uma alteração considerável na sua estrutura econômica, podendo e poderia ter dados passos enormes para chegar à potência como ele imaginava então. Contudo houve uma modificação essencial – de pequena monta? de grande proporção? e que foi a opção rodoviária no ponto logístico; deixamos de incentivar a via fluvial baratíssima e a proposta menos barata da ferrovia, então em expansão e importamos, depois fabricamos, veículos automotores; deixamos o barco de custo baixo e o trem de custo pequeno; optando pelas estradas de rodagem caras; (amargamos até hoje a manutenção mal feita e dispendiosa; e não cumprimos a meta toda de abertura de novos caminhos ao desenvolvimento); optamos pelos carros e veículos pesados, pesados ao bolso da pátria. O que se viu antes de acabar o século XX foi o abandono quase total da malha ferroviária e no mar a cabotagem; navegação nos rios nem se fale. Os ferroviários foram aposentados ou pra rua – e o povo pagando a conta pelo combustível caro cobrado no custo de vida, no alimento na farmácia etc.. Em nossa região é flagrante: são trilhos em esqueletos abandonados, o mato a cobri-los. Tudindo largado!
Não adianta procurar as causas e aqui nos enroscamos em políticos e vendilhões da pátria, antigamente chamados entreguistas... O fato principal é que não há aproveitamento do bem largado. Pouquíssimos municípios ainda reaproveitaram o antes existente trem, montando pequenos percursos turísticos; a esmagadora maioria da nação largou ao mato os leitos. É este o caso de nossa urbe. Vejo – e sofro – isto nisso. Daí em meus sonhos despertos imaginava um reaproveitamento, não dos carris pois foram ao desmonte ou ao cemitério mas dos trilhos já assentados e... mortos! Pensei que deveríamos primeiramente incentivar o uso do material então obsoleto com fim de turismo – parece que a ideia não pegou. Em segundo lugar ocupar desocupados na população (e aqui sendo um dado social de grande valia, concorda o Doutor?) desocupados agora engolidos pela crise. Seria, se não uma solução, um paliativo a fixar gente em debanda aos centros mais populosos; ocupar-se-iam desocupados pela indústria neles, elas também morrendo sem apoio das autoridades do país, as quais não se importam que se importe tudo... Enfim pensei em segurar o homem da terra e ao mesmo tempo ofertar a ele entretenimento, básico à saúde mental do povão.
Todavia tudo não passou de sonho, embora acordado. Porque não dispunha de força política a tanto, inexpressivo homem comum que era; e os políticos que poderiam empreender tal possível melhora, sendo apenas políticos ou meros policoides. Hoje mudou de figura; graças à minha sorte grande. Empreguei o tesouro que me coube pela loteria, lastreei uma empresa e contratei, ocupando um mundo de gente.
Em primeiro lugar pus em prática nos poucos anos de ação a ideia de manutenção da própria terra pela terra: plantei árvores frutíferas, assim reflorestando também; e essas árvores produziram, vendemos parte da produção e ainda usamos a produção fabricando dentro da propriedade e até em larga escala doces de gosto nacional; chegamos inclusive a importar de outros municípios produtores matéria prima, frutas por exemplo e em falta em a nossa produção local. Naturalmente o excedente produzido pela árvore e pela agroindústria ofertamos aos pontos assistenciais, quase sempre religiosos pois a gente no governo nada cria nem conserva o que temos em amparo ao povo pobre. Assim geramos, além da ocupação dos trabalhadores, renda aos poderes constituídos visto a empresa pagar impostos.
O segundo fator foi o aproveitamento turístico com o empreendimento. Usamos o leito das estradas de ferro abandonadas; e aqui pagamos tributo alto ao descaso porque os membros do governo, que sempre não mexem palha, diz o gosto da gente pagante; ainda criam embaraços às iniciativas, qual a nossa de tentar usar o arcabouço instalado abandonado. Fomos pra diante e implantamos caminhos de ferro não existentes antes na área da própria empresa e estabelecemos além de horários condições de funcionamento dos trens, parte à serventia no transporte local de carga parte com passageiros, estes mormente nos fins de semana e feriados. Dessa forma proporcionamos passeios agradáveis quase gratuitos pois que bilhetes a preços simbólicos, nem atingindo  'lucro' o custo e aqui bancado tudo pela empresa; além de termos dado oportunidade também e possibilidade ao uso de passageiros de qualquer origem, seja fora daqui ou dentro da nossa área urbana, sejam aos filhos dos empregados-colaboradores. Enfim ofertando às famílias diversão útil e barata.
Também nisso tivemos problemas porque necessitamos alugar trechos onde a locomotiva e seus carros passando por terras de vizinhos.
E isso tudo não é pouca realização, num país que não cuida de ocupar sua população e dar a ela o descanso mental que a diversão sadia oferece. Concordaria comigo o senhor doutor representante da Casa de Repouso!?
São Paulo   março  2018
         
         



         



           

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