O Roubo
da Casa
1° - Primeiro,
segundo as más línguas, a gente não vê o que acontece em volta da gente e
sempre leva um susto espantando-se com que vê, a constatar por exemplo um
roubo... E aqui o sujeito sujeito aos imprevistos acaba sujeito a várias interpretações;
mesmo seja interpretação do quesito roubo.
Assim
chegou ao seu lugar percebendo no susto mencionado um roubo. Um roubo! gritou
lá dentro do cérebro num pensamento assustado. Sim, assustou-se. As mais das
vezes a gente se espanta inicialmente e interpreta quase imediato com um susto;
por vezes marcante, outras vezes fica no espanto esquecendo logo. Não fosse
neste último aspecto, enlouqueceria cada qual ou morreria porque susto pode matar.
De fato as mais das vezes somente o espanto, o espanto que fere pouco a rotina
da gente; e mesmo ninguém precisa colaborar demais no seu espanto virando susto
movendo o coração estourando veias e morrendo ou só a ficar internado no
corre-corre ao pronto-socorro e acabando antes de acabar na unidade de terapia
intensiva, apenas por um susto, antes inocente espanto por uma coisinha de
nada.
Coisinha!
Coisinha
coisa nenhuma, o sujeito sujeito a isso encontrou foi um roubo... ou seja não
encontrou o que antes estivera ali.
Ali?
A
casa. Tinham levado... ah se disse! indisposto a catalogar esse achado terrível
no perdido. Que fosse para comunicar as autoridades, relacionou tudinho desde
essa fantástica desagradável triste constatação. Além é claro pôr mil outras
minhocas na cabeça, os ‘comos’ da existência, os porquês, quem!? Puxa, quem com
quanto quinhão de coragem (e por que não concluir paciência meticulosidade
quiçá planejamento além da coragem) sim quem a se mover a tanto e produzir
prejuízo a um cidadão correto honesto trabalhador cristão comprovado e servidor
da lei!
Contudo
ali estava, no ver com os próprios olhos, ali o flagrante de um crime; porque
sem dúvida um crime; um hediondo talvez e com certeza de lesa-majestade a si.
2° - Segundo dia
após. Tornou à prova do crime, lápis e papel nas mãos; não, lápis é fora de
moda, quebrava fácil a ponta, tinha que apontar afinar sujando-se nos dedos com
pó do grafite; caneta. Caneta e caderno, optara nisto inicialmente por uma
brochura dessas baratinhas mas aí o primeiro drama: como a lei veria a coisa,
quer dizer um caderno de pobre, ensebado talvez e de difícil folhear, aquele
negócio do grudar folhas por dobrar as pontinhas das folhas em orelhas e... ah
gastou no bazar próximo na aquisição dum caderno grande vistoso de arame
enrolado em caracol com folhas sem falhas e a capa, uh a capa linda de morrer,
apresentando aquelas figuras das loucuras da tevê em estampas de heróis
monstruosos e apresentados lindamente nas cores berrantes. Desse tipo. A caneta
ficou na comum de hoje em dia, a gente compra uma e, seca entupida ou mesmo sem
tinta, a gente atira com raiva no chão compra nova, por via das dúvidas de
outra cor e doutra marca de multinacional mais idônea com que se possa ser
premiado.
Bem,
munido assim, assim vai ao trabalho. O trabalho de enumerar – enumerar não é bem
isso e sim relacionar mais ou menos e a esmo, pois fosse enumerar de fato
numerando na ordem crescente faltariam, alertara-lhe sua apreensão, faltariam
números além do mil e um; visto haver sentido numa abrangência ser um roubo de
grandes proporções! Roubo!?
Aqui
entra em discussão no seu íntimo o que um roubo; roubo ou furto, não sendo uma
afanação de carteira logicamente. Pra ser roubo, ponderou respondendo-lhe o
dicionário (daqueles grossões de folha fininha quase transparente impossível
sem rasgar passar duma para outra página) para ser roubo tem que haver
violência. Nesse ponto matutuou horas e horas e não concluiu poder garantir
ação violenta, o proprietário da propriedade não estando presente. Longe estar
em mãos assassinas de bandidos sem consciência e que não prezam a própria vida
e aí não tendo condescendência com a vida da vítima. Nisto teve arrepios medo e
dó de si mesmo. Todavia houve sim violência, ou perder o que se tem não é uma
violência! Quase se contentou na resposta que se deu e partiu a uma comparação.
Sim,
não poderia ser mero furto e não roubo? Não, se garantiu, mero também é dose:
foi um brutal crime de roubo do seu patrimônio, ah se foi.
Entretanto
não estaria num gastar a massa cefálica e o segundo dia na constatação terrível
com mau defunto? pois o roubo estava a
seus olhos configurado. Como um dia um mês um ano que se fora, irrecuperável.
Irrecuperável...
isto lhe doía. Enfim retomou ou, antes, iniciou a catalogação do que perdera e
pelo visto perdera bastante.
3° - Terceiro
dia após. Voltou ao local do crime a iniciar de vez a relação; sim pensara toda
segunda noite para o terceiro dia sobre o fato e não tinha mais qualquer
dúvida: era roubo era crime.
Resolveu
começar da sala de visitas, a qual praticamente sua solidão sequer permitira
uma visita, visita pra quê?
Bem,
não importa se ela sem ninguém vir vê-lo, existindo. Não, não existindo mais e
por isso não iria relacionar seus pertences (agora pertences do ladrão ou mais
possivelmente ladrões pois como levar tanto!)
Uma
cadeira grande onde descansava, não podendo lógico mais descansar nela. Um sofá
pequeno gasto e caro, tudo que possuía era de primeira, sem luxo embora. Duas
poltronas finamente revestidas. Três estantes artísticas com chapas de vidro
sustentadas por ferro, ou aço? ora, resmungou, que importa. Certa mesinha de
telefone com lista de números e o aparelho logicamente e canetas várias e ainda
papéis para anotação. Uma estante baixa a portar uma televisão, o aparelho de
bom nome e ainda na garantia (descreveu, numerou números e a marca da tv). Duas
estantes, antes, bem antes, montantes de discos tipo cedê com músicas ditas
clássicas e umas poucas populares mas instrumentais não apreciando vozes
humanas e mais umas coisas inclassificáveis em matéria de discos; não se lembrando
para registrar todos títulos.
Ai
ai ai... ia se esquecendo relacionar quadros, só um de pintor famoso e
consagrado, um degas, talvez
falsificado e isto não podendo depois esclarecer à polícia nem ela no seu
analfabetismo devendo reclamar – pois sequer o proprietário ex-proprietário
sequer os funcionários na delegacia de roubos e furtos em condições diferenciar
obras-primas, se elas porventura falsas... Outros quadros do tipo adquirido em
feira de rua belos. Duas ou três (agora se lembrava bem, eram duas) duas
estantezinhas de vidro presas no alto da parede com mil objetos mignons, bibelôs ganhados como lembrança
ou feitos pelo dono metido a artesão e portanto rústicos porém estimados. Só
havendo isso? ah sim também um tapete já velho esfiapando, sem valor numa
relação oficial. Só. Talvez... a memória terrivelmente lerda ou esquecida ou
ainda teimosa não devolvendo mais. Respirou provisoriamente aliviado por esse
longo rol e se foi.
4° - Quarto dia
após. No dia sol manso nuvens pressagiadoras... No quarto dia o quarto, agora
vamos ao dormitório; vamos é forma mais graciosa a um solitário, o qual precisa
como o resto da humanidade dormir.
O
quarto era acanhado ou ao menos não demais opulento por ter demais espaço,
quase enorme a um só homem; mesmo fosse a um exército de um homem só seria
grande para uma robusta insônia no peso da idade. Todavia aqui engrossou um
pouco, isto maneira a significar o montante valoroso do conteúdo, além do comum
guarda-roupa. Ora, este andava estourando rachado cheio de frestas e insetos,
sobretudo facilitanto tais frestas às baratas e claro acumulado de poeira; e
cheiro, lógico. Cheio o móvel também pois continha mil peças masculinas como
ternos gastos, cuecas nem sempre novas, camisas duas delas pedindo
substituição. As gavetinhas a conter miudezas como meias e outras impossível de
relacionar mas ótimo a reclamar e impossível igualmente interessar autoridades;
não relacionou. Eram restos ou documentos anos anotados guardados escondidos
até e que a gente não sabe onde pôr a fim de não ver e aí joga num canto do guarda-roupa
atulhando não estivesse já atulhado... Oh, lembrava quiçá com pena (pena por
perder perdido!): uns objetos eletrônicos velhos alguns já não funcionando e
isto não é coisa que a gente sabe sabe somente ao experimentar se de fato não
funciona e mesmo aqui não tendo coragem atirar a estimação no lixo, embora
pudesse desfazer-se como lixo reciclável por não ter serventia. Que mais? não
mais se lembrava o que mais dentro desse monstruoso móvel. A seguir, o pior.
Não,
a cama velha o colchão estourando e tendo vão na forma do corpo pelo peso do
corpo e a refletir nas dores na coluna da gente, lençóis fronhas essas coisas
usadas azedas fedidas – não importando; só as mudas novas e limpas já não mais
no guarda-roupa ex-armário porque fora roubado; só estas sentiu de fato a
perda. A cama realmente estando quase a desmontar por antiga e fraca, supondo
até o trabalho silencioso dos cupins; sem ter tido tempo hábil comprovar: que o
ladrão, decerto ladrões, que eles constatassem o problema no agora seu
pertence...
Não.
O pior sendo o melhor o mais caro e caro pelo conteúdo, a si caro, e então
supondo bem guardado (já roubado!) O pior o melhor nos aparelhos e
instrumentais informáticos. Neste ponto quase chorou, olhou em volta ninguém
ali para vê-lo e então verteu lágrimas doídas como lágrimas de sangue...
Havia
– tudo agora passado! – havia um computador com seu pecê novinho em folha,
monitor e impressora idem; caixas de som e não mais que meia-dúzia de
pendrives; uns pares velhos de disquetes superados com algum conteúdo resguardado,
fosse ainda possível recuperar abrindo... Um cedê com algumas figuras e
arquivos escritos, provavelmente ainda conseguindo abrir ler, agora...
Bem,
agora o que fazer não sendo o sofrer a perda do que se encontrava na memória do
computador e o conteúdo dentro dos pendrives, ai ai ai que perda irreparável!
Irreparável,
ia voltar se debulhar no choro e mais uma vez olhou se olhavam não olhavam não
tinha ninguém nas imediações; aliás ouvia barulho humano longe e menos longe
uma televisão vociferando a enorme violência na programação; longe e portanto
ele poderia inclusive promover estardalhaços lacrimosos à feição dos orientais
ele gente do ocidente não potente e descontente.
Ia
se debulhar quando a matreira memória pregou-lhe nova afronta; agora por se
lembrar todo restante roubado no caso: recordou ter no quarto em cima da mesa
de trabalho feito escritório particular um notebuque. Piormente esse computadorzinho
de mão emprestado; quer dizer alguém amigo ou confiante deixara-lhe a
geringoncinha uns dias com fim de viagem ou só à sua comparação dos dados da
pessoa com seus dados armazenados guardados hermeticamente escondidos etc. e
tal. Tal computador e igualmente o de sua propriedade, felizmente já pago ou
teria perdido agora ainda mais por ter que quitar dívida; tal computadorzinho,
o do amigo, precisaria comprar outro amanhã e devolver. Os tais foram levados!
Enfim
o quarto vazio, nem servindo agora como dormitório para se insoniar.
Suspirou
respirou fundo, após desabafo lacrimoso; fez constar o roubo, conferindo
doentiamente a relação das perdas sem ganho, e se foi.
5° - Quinto dia
após. Chegou ao local do crime nervoso na perda e disse quase nem entrando na
área a continuar sua relação às autoridades – pô, vá tudo pros quintos! Todavia
repensou adentrou prosseguiu.
Agora
foi ter ao banheiro. Sim, banheiro, sem banheiro porque não tinha mais
banheiro; não tivera banheira também mas tomava, antes, banho, agora no inverno
o chuveiro ligado pesado gastão barulhento a aquecer água; portanto o compartimento
um banheiro. Porém mais lugar para necessidades – uh os brutos levaram não só a
tampa o vaso! A caixa de descarga, sim com defeitos funcionando embora estardalhaçante
no puxar a cordinha. Tudo, nada sobrara; inclusive toalhas, uma com florinha
ganha como presente de alguém, essa sentiu a perda; a outra grande para enxugar
o corpo, tudo nada. Até o armarinho onde o espelho de não se olhar temeroso de
se ver, de fazer a barba se cortar se esfolar arder, nadinha ficara, inclusive
a escova e a pasta dental e o pente e um sabonete de reserva, até uma caixinha
de pomada... ora vá ter gosto errado assim nos quintos dos infernos. Tudinho
nadinha sobrando, arrancaram a pia usada como lavatório matinal. Surpreso, notou
a falta mesmo dum dístico impresso comprado numa papelaria, desse tipo antigo
de decalcomania a grudar na louça gelada lisa do azulejo por sinal branco
(seria branquejo não azulejo então) – com uma sentença mui em moda: sorria, você
está sendo filmado. Pois o ladrão deve ter sorrido e não acreditando arranhou a
fita adesiva arrancou-a, que estupidez!
E
agora então se pergunta, como farei pra fazer? Não importa, dá-se um jeito.
Todavia à perda não tem jeito. O jeito é ir-me; e se foi.
6° - Sexto dia
após. Foi revisar, já crendo esperando andar todo o cômodo limpo, vazio, foi
examinar uma certa dependência estreita em que encaixara (claríssimo ela não
estar mais presente) a geladeira, que fora aí posta para não ocupar espaço na
cozinha onde estaria adequadamente no seu lugar. Nem ela, nem os alimentos
colocados exato pra não se perder, nem ela nem eles. Entretanto ali o lugar
usado a despejo de cacarecos, nunca imprestáveis o homem comum guarda tudo de
nada se desfaz, mesmo aquilo que não tendo certeza se serve e para que serve se
servir. Porém junto havia dois estrados de cama e dois colchões seminovos a fim
de parentes vindos na visita rara terem que não dormir no chão duro e frio; ou
ele, dono, proprietário, titular da casa ter que ir ao chão ofertando a sua
cama e as suas coisas ao visitante, o visitante desse tipo que costuma não ter
costume vir de viagem e vem. Todos trecos tidos sem lugar postos nesse lugar.
Nesta altura olhou aos lados dum outro cômodo especialmente para depositar
alimentos secos, a despensa; o espaço dela, visto nem alimentos nem a despensa
mais existir! Ah pra que lembrar agora, agora vazias tais dependências. Ih,
necessário relacionar à cobrança oficial. Não ocorreria que os polícias
prendessem recuperassem devolvessem a perda em ganho!? Então relacionou por
essa razão mil objetos ali encaixados (os alimentos da despensa não: a lei
diria você compra outros, os ladrões terão comido tudo) enfim os encabeçados
pela geladeira e sua barrigada cheia fria gelada apetitosa; registrou cada um,
conforme colaboração da memória dita curta ingrata inimiga de esquecidos ou só
faltos de força a devolver dados vistos, perdidos, e agora enumerados.
Cansou-se.
Daí partiu, a deixar o restante pra amanhã, hoje já perdido mesmo o perdido...
7° – Sétimo dia
após. Foram inventariar a cozinha, foram ele e seu desânimo. Isso, andava nesse
sétimo já desanimado, e um pouco descrente ou pessimista com a possibilidade de
sobra, quer dizer: encontrar material sem interesse aos meliantes e largados
como sobra ao dono, ex-dono tudo indicava.
Então
enganou-se redondamente nisso: não havendo sobra nenhuma. Chegaram os
criminosos decerto na boca da noite ou tarde na madrugada a arrancar a pia
grandalhona da cozinha! se interessaram pelo mármore que a cobria; ora se levaram
até o filtro de água de cima da pia e o escorredor de trens de cozinha – não
levariam a pia? Arrastaram o fogão, outro objeto novíssimo embora já a grudar
nas gorduras e sujidades pelos desânimos de limpeza. A mesa de fórmica
prensando grânulos de madeira não ficou. Não ficou nenhum objeto nenhum móvel
na cozinha a contar a história e quem sabe a delatar o ladrão, caso o inanimado
pudesse e se animasse a dedar. Estão agora contidos na relação (relação não
sua, a entregar e ficar à disposição das autoridades) estão nesse rol tudo
relacionado aos utensílios de cozinha como alumínio e louça; até canecas e
caçarolas amassadas que foram surrupiadas. Talvez mais pesando em peso e valor
um botijão de gás que andava debaixo da pia que fora arrancada levada por esses
sem escrúpulos fora da lei, até o gás; claro, ladrão é gente inteligente e não
iria soltar o gás fedorento alertando no chiado a vizinhança nesse roubo,
apenas a fim de o bujão ficar mais leve nas suas costas.
Em
resumo: não havia mais coisa alguma de cozinha na cozinha, não havendo mais
nada nem sequer as paredes...
Nada
assim para fazer nascer um desânimo sem tamanho!
8° - Oitavo dia
após. Torna desesperançado à antiga residência e ainda a ruminar no diálogo
consigo mesmo – por que, seu burro, se pichou, por que se ausentou tanto de
casa? dias apenas redarguindo para o outro ele-mesmo; não importa, responderam
lá no miolo ríspido e conclusivamente, você perdeu tudo dentro da casa!
Abanou
a cabeça a espantar desânimos pessimistas e completou: não senhor, tudinho não
perdi, só fiquei sem objetos e móveis, o imóvel...
Já
houvera examinado o espaço quase inteiro, e a cada dia mais negativo no ânimo,
já visto todos cômodos da moradia, pequena é verdade mas enorme a um só
solitário. Agora vai aos fundos do quintal. O jardim na frente não mais existente
ou pisoteado ou arrancado o verde e as cores, anteriormente tão alegres e a
alegrar. Chegou no fundo do quintalão a medir onze por trinta e três o que
sendo metragem pra valer, hoje que se valoriza exorbitando o metro quadrado no
espaço urbano.
Sim
o quintal inteirinho lá. A verdura e as plantas miúdas é que não mais
existiam... As árvores, poucas, essas cortadas havia um que outro toco delas
para documentar e se lembrar duma grandeza. Somente uma única estava de pé,
como espécie de rainha ditando imperando a reinar sobre um nada que fora tudo
ao rico pobre morador, dono, ex-dono.
Olhou
para a árvore; e seu rosto a fim de conseguir abarcar lá em cima o tamanho e o
porte daquele ser, sua cara precisou esticar bem o pescoço, o queixo subiu para
ver se via lá em cima a feição os olhos do imenso vegetal.
Ia
dizer perguntar: até você não me defendeu a propriedade!! decerto não iria
esperar respondesse que o patrulhamento é função dos cachorros, eles mortos ou
fugidos ou roubados com os objetos. Não disse, abaixou a testa os olhos a
molhar o chão. Voltou-se, tornou à frente ao gradil a sair, vencido, pelo
portão.
Aí
lembrou-se, até deixando cair ao solo o caderno de anotações a ser entregue à
lei; recordou não haver visto à entrada desde o primeiro dia, o portão grande
para o carro que não possuía ou já teriam roubado; e o pequeno de se passar e
mesmo o restante dos ferros da grade de proteção contra os fora da lei.
Os
ladrões haviam levado tudo, incluso a paz. Nada ficando.
Marília julho
2013
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